quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Convite


Temos o prazer de @ convidar para o nosso Jantar de Natal!
É no Sábado, dia 22 de Dezembro de 2007 , às 20:30 h.
O convívio começa um pouco antes, às 18h30m, com:
- a apresentação de uma pequena peça de teatro pelas nossas crianças,
- a declamação de alguns poemas,
- a interpretação de algumas canções,
- e muito boa disposição.
Apareça! Será muito bem-vind@!

EMENTA
Entradas
Rissóis e Pastéis de Bacalhau
Sopa de caldo Verde
Prato Principal
Arroz de Pato
Prato Vegetariano
Bebidas
Água, Sumos, Refrigerantes, Chás e Café
Sobremesas
Doces diversos
Salada de Frutas Tropicais e da Época

Preço:
10 € Adulto


Confirmar inscrições até 15 de Dezembro
Contacto : 961 488 335

domingo, 25 de novembro de 2007

O outro Eu

De entre as muitas peças que compõem o quebra-cabeças do nosso comportamento espiritual e que ainda estão a precisar de ajustamentos e retoques para que encaixem perfeitamente no jogo da vida, há uma, de carácter eminentemente social, que mereceu desta vez a minha atenção.
Umas vezes, inocente e inócua, outras vezes, agressiva e demolidora, esta conduta está mais presente do que se pensa.
É, com frequência, um processo involuntário, faz-se sem intenção premeditada – não obstante, pode magoar.
E vem, às vezes de pessoas consideradas bem formadas, o que nos pode deixar admirados e capazes de nos interrogarmos “mas foi mesmo ele (ou ela) quem disse aquilo?”
O tema desta nossa conversa vai ser, pois, sobre aquela peça do “puzzle”, a que chamei “O outro eu” e tem a ver com o nosso (maior ou menor) mau hábito de julgarmos outros pessoas, fazermos juízes sobre os seus comportamentos e, por vezes, quase condená-los.
“Volta – não - volta” lá estamos nós (uns mais que outros) a considerar que Fulano não devia ter dito aquilo, ou que a Fulana “tem aquele feitio e devia ter outro”, que o Beltrano é assim e a Beltrana é assado, que o Cicrano faz aquilo e devia fazer aqueloutro; esquecendo-nos das nossas imperfeições, principalmente espirituais, arrogamo-nos juízes e damo-nos ao luxo de fazer julgamentos.
Diz o povo, com a sua sabedoria, que “cada um sabe de si e Deus sabe de todos”. E Deus sabe ainda – e nós também temos obrigação de o saber – que a Ele (e só a Ele) cabe o último julgamento.
Esquecemos facilmente que aquela atitude do outro, que mereceu o nosso julgamento, o nosso reparo, a nossa discordância ou, até, a nossa crítica tem, geralmente, a ver com os condicionamentos impostos pela sua vida – espiritual e humana; aquele comportamento (criticável ou não) pode ser reflexo ou consequência de problemas de saúde, de trabalho, de família, de educação etc.
E esses problemas que não são de nós conhecidos, não nos permitem fazer o tal “julgamento”.O máximo que poderemos dizer é que é o “nosso ponto de vista.”
Pontos de vista diferentes há-os sempre.
Eu diria – FELIZMENTE HÁ-OS SEMPRE. Sem que isso queira significar que, por serem diferentes, são errados.
Recordo um exemplo que um professor de Filosofia que tive, costumava dar – Um grupo de excursionistas, já aposentados de variadas profissões, visita uma montanha que o guia turístico aconselhara. Por ela passearam, embeveceram-se com a sua beleza e as paisagens que dela viam. Mais tarde, trocaram comentários; e disse o sacerdote “Senti-me lá cima tão perto de Deus que me brotou uma sentida oração; mas o pintor preferiu acentuar as belezas do que tinha visto e prometeu uma tela bem inspirada, cheia de cor e vida; o lavrador que fazia parte do grupo também gostou, claro, mas fez saber que cortando socalcos naquelas encostas poderia plantar uma fabulosa e produtiva vinha; havia, também, no grupo, um velho oficial do exército, e este opinou que a montanha poderia constituir, em caso de ataque, de várias das direcções, um elemento estratégico de defesa, colocando-se canhões aqui, ali e além.
E por aí afora; poderíamos incluir na história outras pessoas de diversas profissões e, cada uma delas daria um uso diferente à coitada da montanha que a natureza tinha embelezado e só ali estava por capricho das modificações da crosta terrestre.
Isto tudo, como exemplo de que, cada um de nós, com a sua formação, com a sua sensibilidade, com o seu grau de desenvolvimento intelectual e espiritual, regista um diferente ponto de vista que, não estando errado, fica incompleto por lhe faltarem OS OUTROS PONTOS DE VISTA.
Ainda outra historieta, bem humorada, que confirma esta asserção: - Numa vila espanhola inaugurava-se a nova praça de toiros. Festas por toda a parte e todo o dia. Muita alegria em toda a gente que já enchia a nova praça. Mas havia um homem, já de boa idade, que se mostrava tão triste que um amigo lhe perguntou:- “Hombre, estás tão triste; não gostas da nova praça? Ao que o homem respondeu “Gostar, gosto, mas tenho estado a ver tudo isto sob o ponto de vista do toiro….”

Deixemos agora as historietas, as imagens, e vamos à “lição” (salvo seja) necessariamente SOB O MEU PONTO DE VISTA e, só por isso, DISCUTÍVEL.
Vamos, então, à Bíblia, para começar. E é sempre UM BOM COMEÇO…
Referindo-se à concepção de Jesus sobre a fraternidade humana, o Evangelista Mateus diz-nos “Não julgueis para não serdes julgados, pois conforme o juízo com que julgardes, assim sereis julgados, e, com a medida com que medirdes, assim sereis medidos. Porque reparas no argueiro que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu olho? Como ousas dizer ao teu irmão; Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, tendo tu uma trave no teu?
Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e, então verás para tirar o argueiro do olho do teu irmão.”
Também em relação ao mesmo tema, João recorda a afirmação imperativa de Jesus, quando lhe apresentaram uma mulher adúltera para ser apedrejada: “Aquele que estiver sem pecado, atire a primeira pedra.”
Segundo consta, ninguém apedrejou a coitada e todos se foram embora. Perceberam, depois de ouvirem a chamada de atenção de Jesus, que se tinham precipitado – antes de julgarem a pobre mulher, deviam ter-se julgado a eles próprios.
Admitamos que não é fácil. Mesmo Kardec, nos comentários que faz, com a sublime ajuda do Espírito da Verdade, diz:- A censura da conduta alheia pode ter dois motivos: reprimir o mal ou desacreditar a pessoa cujos actos criticamos. Este último motivo jamais tem desculpa, pois vem da maledicência e da maldade. O primeiro pode ser louvável, e torna-se mesmo um dever em certos casos, pois dele pode resultar um bem. ATENÇÃO – Ele diz PODE SER LOUVÁVEL, não diz que “É LOUVÁVEL, incondicionalmente.” E mais, o valor ou a importância da censura ou da crítica assenta, na mesma proporção, na autoridade moral daquele que a pronuncia, isto é, o conselho só vale se vier de quem der o exemplo. Eu estarei agindo acertadamente, se chamar a atenção de um automobilista que fez uma manobra perigosa – “olhe, você, ali atrás fez uma ultrapassagem que o Código da Estrada não permite. Veja lá se tem mais cuidado. Claro que o sujeito poderia reagir de diferentes maneiras; ou concordar comigo e pedir-me desculpa, ou perguntar-me se eu era polícia e mandar-me a qualquer parte, e voltar à estrada mais irritado e mais capaz de fazer outras asneiras e provocar mais acidentes.
E EU?! Terei sido sempre um condutor exemplar? Sem pressas, nem falhas? Duvido.
Aceita-se que pais ou professoras critiquem, ou, melhor, chamem a atenção de seus filhos ou alunos para atitudes menos correctas (menos correctas à luz das regras sociais e de acordo, também, com a sua própria experiência de adultos). Porque, corrigir quem falha por inexperiência, é função de quem educa. Mas já é mais difícil de aceitar que façamos juízos de outros que são nossos iguais ou, pelo menos, nossos parecidos. Afinal de contas, estamos todos no mesmo planeta, não estamos??!!
Mas vamos lá ver outra coisa; se eu tiver e expressar uma opinião contrária ou um ponto de vista diferente de outra pessoa estarei a julgar essa pessoa?
Absolutamente NÃO, desde que ambos conheçam o mesmo tipo de leis e tenham culturas idênticas (aqui CULTURA tomada como o conjunto de hábitos, costumes, tradições).
Entretanto, note-se uma coisa – até agora (e ainda vamos no princípio) já fiz referência a JULGAMENTOS, PONTOS DE VISTA, OPINIÕES e JUIZOS, aparentemente como tendo o mesmo significado. MAS NÃO TÊM!
Vale a pena, então – e é conveniente – fazer análises, procurar esclarecimentos e tirar dúvidas.
O que é JULGAR? No âmbito do Direito e da Justiça (dos Homens) é estabelecer uma série de raciocínios, mais ou menos simples, tendentes a ponderar as vantagens e os inconvenientes de um acto, em relação a um CÓDIGO, neste caso, um CÓDIGO LEGAL SOCIAL. Isto é, determinar se aquele acto está, ou não, de acordo com as leis estabelecidas pela sociedade.
Ora, se elevarmos este mesmo conceito à religião cristã, verificamos apenas a diferença do código – deixa de ser referente à um código social (dos Homens, dos Estados) para se referir a um CÓDIGO DE LEIS MORAIS, superior aos Homens e aos Tempos, como referiu o nosso companheiro C. S., na palestra do passado Sábado.
Então, assim, já não pode caber a nós, humanos, julgar quem quer que seja. E porque NÃO nos CABE JULGAR OS OUTROS, passa a ser um DEVER, NÃO O FAZER. Deixemos isso aos poderes superiores da espiritualdade e fiquemos nós com a obrigação de compreender e tolerar os outros, com inteligência e com amor. Determinado que fica o conceito de JULGAMENTO e a quem pertence, em última instância, fazê-lo, vamos tratar, depois, do que tem a ver com Pontos de Vista, Opiniões e Juízos.
Vamos, por isso, dar um passo ao lado e dar uma olhadela a alguns exemplos literários pedindo, porém, licença para dizer o que penso desta literatura que não está incluída na chamada “literatura espírita ou evangélica” : -Para que nos instruamos e possamos cumprir o conselho espírita “instrui-vos” devemos recorrer a todo o tipo de literatura (desde que considerada BOA). Isto, porque, se os autores desses livros são CAPAZES de produzir tão bons trabalhos, são, com certeza, espíritos avançados e experientes, e dispostos a repartir connosco muita informação e temas de reflexão que podem ser úteis ao nosso desenvolvimento espiritual. Eu diria – correndo o risco de ferir alguma ortodoxia – que um escritor de bom nível literário já tem alguma coisa de psicógrafo.
Neste “passo ao lado” quero referir um livro intitulado “O Verdadeiro Silvestre” que me impressionou muito quando o li a 1ª vez em 1960 (tenho o hábito de datar os livros quando os compro). É de um escritor italiano – Mário Soldati – de quem não conheço mais nenhum trabalho. Este, pode-se sintetizar como sendo um debate entre duas personagens com conceitos absolutamente antagónicos acerca de um tal Silvestre, amigo intimo de uma dessas personagens e inconsolável apaixonado da outra. O narrador desta história é o amigo de Silvestre, com quem o leitor se identifica facilmente, assimilando através dele a imagem de um Silvestre ingénuo e generoso, de uma delicadeza e humildade extremas, inteligente e sentimental. A mulher por quem Silvestre se apaixona – Aurora – contesta-o violentamente e apresenta-nos, através do seu relato, um Silvestre matreiro, hipócrita e maldoso e, até mesmo, chantagista. Aurora é um ser primário, básico, todo instinto e interesse e dá ao leitor a impressão de que o Silvestre que ela conhece (ou pensa conhecer) é uma projecção da sua própria inferioridade moral, da sua incapacidade inata de imaginar qualquer sentimento que ultrapasse os limites do seu egoísmo, da sua pouca formação e da sua preguiçosa e mal treinada inteligência. Qual será o Verdadeiro Silvestre?
Dá para perceber as causas das diferentes atitudes?? Vão pensando nesta pergunta porque a ela voltaremos, quando regressarmos deste “passo ao lado”. Outro exemplo – o escritor inglês Graham Greene que, em 1929 escreveu “O outro eu”.
É a história de um contrabandista que atraiçoa os seus companheiros, denunciando-os à guarda-fiscal. Terá sido bem feito? Ou mal feito? E anda tudo à volta desta frase “Existe um outro eu dentro de mim que está zangado comigo”. Esta é outra pista para a resposta à pergunta que fiz atrás. Mas também entre escritores e poetas portugueses se pode encontrar o mesmo dilema. Do poeta Marìo de Sá Carneiro: “Eu não sou eu nem sou o outro;
Sou qualquer coisa de intermédio,
Pilar da ponte do tédio
Que vai de mim p´ró outro.”
Já começam a perceber? Penso que sim…
E deixo para o fim o nosso Fernando Pessoa que, na sua obra, se dividiu por 5 identidades – ele próprio e os seus quatro mais conhecidos heterónimos (Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Bernardo Soares). Era um exagero de EUS…
E sempre a questionar-se sobre qual o EU que era ele próprio. Não admira que um dos seus livros se chame “O LIVRO DO DESASSOSSEGO”.
Acho que já chega para poderem responder à pergunta “Quais as causas das diferentes atitudes, ou julgamentos ou juízos descritos nestas histórias e vindas destes escritores, mas também acontecem connosco?”
É isso, exactamente, o que estão a pensar. Aquelas atitudes devem-se aos factos de:
1º Ainda não sabermos muito bem quem somos, isto é, não distinguirmos o nosso EU do Outro EU,
2º Sermos muito condescendentes connosco próprios, o que nos leva a convencer-nos de que ou “somos os maiores” ou, ao contrário, pensarmos tão pouco de nós mesmos, que nos leva à timidez, à falta de confiànça em nós e à nossa baixa auto-estima, isto é, um EU influenciar o outro EU.
3º Mas muito importante – nestas dúvidas, somos bastas vezes levados a passar para os outros o resultado dos nossos preconceitos, da nossa insegurança, (balançando entre um EU e o OUTRO), da nossa falta de tolerância, de bondade e de justiça. Esquecemos a amizade, a fraternidade e o amor; assumimo-nos, quantas vezes, como infalíveis e irrepreensíveis. Mas seremos NÓS, ou seremos os OUTROS?
Os OUTROS que, de alguma maneira, nos querem deitar a perder? Os OUTROS, fazendo-se passar por NÓS? Os OUTROS, tentando enganar o nosso EU?
Que fazer??!! (dá trabalho, mas vale a pena). Aumente-se o grau de vigilância sobre o nosso EU de forma a que, com respeito e tolerância, se possa corrigir o OUTRO EU.
Em “Constituição do Espiritismo”, obra póstuma de Alan Kardec, ele chama a atenção para o respeito que a todos é devido, e que tal respeito assenta na tolerância que é fruto da caridade, base da Doutrina Espírita.
Lembremo-nos que, em qualquer tribunal, de qualquer país civilizado até o maior criminoso tem direito a defesa. (O que quer dizer que as leis dos homens já beberam qualquer coisa da lei de Deus).
E agora, quase chegados ao fim, poderá alguém – com muita razão, aliás – perguntar:- “Então e quando formos nós os julgados e criticados, sem haver motivos para isso, ou por simples maldade dos outros?
Nesta situação, as coisas ficam mais fáceis porque a doutrina e os evangelhos que nos vão norteando a caminhada, definindo os nossos princípios e ensinando a descobrir o nosso EU verdadeiro ou a nossa mais profunda consciência, permitem criar à nossa volta um escudo protector, uma couraça, e agir como o povo diz “Os cães ladram, mas a caravana passa”.
Para terminar, repito o princípio, o conselho, a lei, o mandamento, a instrução, o aviso – como entenderem chamar-lhe – e que é de todos conhecido e que envolve tudo de que falei: “AMAI-VOS E INSTRUI-VOS”. Tão simples!!!
Está lá tudo, e tudo se percebe. Mas, se quiserem, ainda de outra maneira – “Tenham bom coração, tenham bom senso cristão; tenham tino e atenção”
Pronto, acabei. Obrigado por me terem aturado.
Se, no entanto, me quiserem julgar por esta palestra eu peço, como na cantiga “Não sejam maus p´ra mim”…


(Linhas-base da palestra proferida pelo Reis a 17 de Novembro de 2007)

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Emmanuel e Chico Xavier

Lembro-me de que, em 1931, numa de nossas reuniões habituais, vi a meu lado, pela primeira vez, o bondoso Espírito Emmanuel.
Eu psicografava, naquela época, as produções do primeiro livro mediúnico, recebido através de minhas humildes faculdades e experimentava os sintomas de grave moléstia dos olhos.
Via-lhe os traços fisionómicos de homem idoso, sentindo minha alma envolvida na suavidade de sua presença, mas o que mais me impressionava era que a generosa entidade se fazia visível para mim, dentro de reflexos luminosos que tinham a forma de uma cruz. Às minhas perguntas naturais, respondeu, o bondoso guia: — “Descansa! Quando te sentires mais forte, pretendo colaborar igualmente na difusão da filosofia espiritualista. Tenho seguido sempre os teus passos e só hoje me vês, na tua existência de agora, mas os nossos espíritos se encontram unidos pelos laços mais santos da vida e o sentimento afectivo que me impele para o teu coração tem suas raízes na noite profunda dos séculos..."
Essa afirmativa foi para mim imenso consolo e, desde essa época, sinto constantemente a presença desse amigo invisível que, dirigindo as minhas atividades mediúnicas, está sempre ao nosso lado, em todas as horas difíceis, ajudando-nos a raciocinar melhor, no caminho da existência terrestre. A sua promessa de colaborar na difusão da consoladora
Doutrina dos Espíritos tem sido cumprida integralmente. Desde 1933, Emmanuel tem produzido, por meu intermédio, as mais variadas páginas sobre os mais variados assuntos. Solicitado por confrades nossos para se pronunciar sobre esta ou aquela questão, noto-lhe sempre o mais alto grau de tolerância, afabilidade e doçura, tratando sempre todos os problemas com o máximo respeito pela liberdade e pelas ideias dos outros. Convidado a identificar-se, várias vezes, esquivou-se delicadamente, alegando razões particulares e respeitáveis, afirmando, porém, ter sido, na sua última passagem pelo planeta, padre católico, desencarnado no Brasil. Levando as suas dissertações ao passado longínquo, afirma ter vivido ao tempo de Jesus, quando então se chamou Públio Lêntulus. E de fato, Emmanuel, em todas as circunstâncias, tem dado a quantos o procuram o testemunho de grande experiência e de grande cultura.
Para mim, tem sido ele de incansável dedicação. Junto do Espírito bondoso daquela que foi minha mãe na Terra, sua assistência tem sido um apoio para o meu coração nas lutas penosas de cada dia.
Muitas vezes, quando me coloco em relação com as lembranças de minhas vidas passadas e quando sensações angustiosas me prendem o coração, sinto-lhe a palavra amiga e confortadora. Emmanuel leva-me, então, às eras mortas e explica-me os grandes e pequenos porquês das atribulações de cada instante. Recebo, invariavelmente, com a sua assistência, um conforto indescritível, e assim é que renovo minhas energias para a tarefa espinhosa da mediunidade, em que somos ainda tão incompreendidos.
Alguns amigos, considerando o carácter de simplicidade dos trabalhos de Emmanuel, esforçaram-se para que este volume despretensioso surgisse no campo da publicidade. Entrar na apreciação do livro, em si mesmo, é coisa que não está na minha competência. Apenas me cumpria o dever de prestar, ao generoso guia dos nossos trabalhos, a homenagem do meu reconhecimento com a expressão da verdade pura, pedindo a Deus que o auxilie cada vez mais, multiplicando suas possibilidades no mundo espiritual e lhe derramando, na alma fraterna e generosa, as luzes benditas de seu infinito amor.

Pedro Leopoldo, 16 de Setembro de 1937.
Francisco Cândido Xavier
(Este é o prefácio do livro Emmanuel - Dissertações mediúnicas sobre importantes questões que preocupam a humanidade, de Chico Xavier, publicado em 1938, e serviu de base para a palestra proferida pelo Marreiro a 3 de Novembro de 2007)

sábado, 6 de outubro de 2007

Felicidade

A nossa companheira Ermelinda resolveu, há aqui uns tempos, numa das nossas reuniões de estudo das 6as feiras, e a propósito dos temas tratados nessa noite, perguntar a cada um de nós “Você é feliz?”
Cada um dos presentes foi alinhavando a sua resposta – uns responderam que eram, outros “assim- assim” e alguns disseram que não eram felizes.
Cada resposta baseou-se, obviamente, nos seus sentimentos, mais ou menos optimistas, mas também – e PRINCIPALMENTE – no conceito ou noção que cada um tem de FELICIDADE.
Se eu pensasse, agora, fazer-vos a mesma pergunta, acho que receberia o mesmo tipo de respostas, com base nas mesmas diferenças de sentimentos e conceitos.
E foi naquela mesma noite que eu resolvi debruçar-me sobre este tema, para uma possível palestra.
E ela cá está hoje; mas digo já que não é com a intenção de definir FELICIDADE.
E porquê?! Por que não procurar uma definição?
Também explico já – quando afirmo que não tenho a intenção de procurar a DEFINIÇÃO DE FELICIDADE, nem de qualquer outra coisa, quero dizer que, segundo os mais entendidos, à DEFINIÇÃO não se lhe pode acrescentar ou retirar mais dada; fica definido e é definitivo.
É um erro que todos cometemos com frequência. O que na verdade se pode e deve fazer é procurar a NOÇÃO, o CONCEITO, a IDEIA que está por detrás da palavra e a melhor forma de a transmitir.
A nossa companheira Denise fez, há tempos, um brilhante trabalho exactamente a propósito disto – a dificuldade de passar a IDEIA através da “chatice” da linguagem.
DEFINIR só poderá acontecer na Matemática e na Física; e, mesmo assim, vem o Sr. Einstein e diz “que tudo é relativo.”
Ora, no que fui pesquisando, também fui encontrando diferentes opiniões, tal como aconteceria aqui se vos pedisse que dissessem o que é a Felicidade.
Há, porem uma opinião que, não, explicando o que é, diz de onde é ou melhor ainda, diz de onde NÃO É…
Concretamente, diz: “A Felicidade não é deste mundo”. Isto lê-se no capítulo V do Evangelho Segundo o Espiritismo, explicado pelo Cardeal francês Morlot, em 1863, referindo-se ao Eclesiastes, um dos Livros Sapienciais do Antigo Testamento.
Mas vamos deixar este aspecto mais para o fim.
Fiquemos, por agora com aquelas ideias que, como encarnados, podemos compreender melhor, por serem ideias ou opiniões mais comuns, mais terra-a-terra, mais ligados aos nossos pensamentos do dia-a-dia, de forma que, mais à frente, possamos entender os aspectos mais profundos.
O Sr. Bertrand Russel, inglês que foi Prémio Nobel da Literatura em 1950 perguntava, um dos seus livros intitulado “A conquista da Felicidade”: “O que é mais invejável do que a Felicidade?”
Por outras palavras: Quem é que não deseja ser feliz? Há alguém que não queira atingir a Felicidade?
A resposta a estas perguntas é óbvia – toda a gente quer ser feliz.
Mas não é só a resposta de nós, aqui, ou do nosso tempo actual; aquele desejo é encontrado em todas as culturas e em todos os tempos.
É curioso que a maioria das pessoas classifica a Felicidade acima do “dinheiro” ou
Dos bens materiais (embora, em privado, distraidamente, muitos se comportem como se isso fosse o seu principal objectivo).
É curioso, também, que nos Estados Unidos da América, a sua Constituição Política consagre o direito inalienável “à vida, à liberdade e à procura da felicidade.” Claro que a gente sabe que este princípio é muitas vezes esquecido – como se sabe, em vez do direito à vida, têm a pena de morte e vendem armas como quem vende brinquedos, em vez da liberdade mantêm cadeias onde os reclusos, em vez de reeducados, aumentam os seus instintos e artes de malvadez, e a felicidade (de acordo com o seu conceito) é para uns quantos - e os outros… tenham paciência. Diga-se, em abono da verdade, que não acontece só lá; mas parece que lá abusam.
Mas vamos nós continuando em busca da nossa ideia de felicidade. E nestas buscas, não faz mal ir ver o que noutros tempos e outras gentes pensavam disso; por exemplo, na velha Grécia (onde vamos sempre beber qualquer coisa de sabedoria) os hedonistas – um grupo de pensadores e filósofos – achavam que a felicidade estava no prazer, fosse ele qual fosse. PRAZER em grego diz-se HEDON – daí se chamarem hedonistas. Nós conhecemos, ainda hoje, algumas pessoas que pensam e agem assim – conduzir um Ferrari com uma miúda muita gira ao lado é um prazer; e isso é a felicidade …. para o fulano; e decerto também para a fulana, considerando o seu prazer de ir bem acompanhada e ricamente transportada.
Mas, a seguir aos HEDONISTAS, aparecem os ESTÓICOS que diziam que para ser feliz bastava não desejar nada; não desejando nada, tem-se tudo. Ora tendo tudo, somos felizes. Acho que eram uns exagerados – aliás, como terão notado, andava tudo à volta do TER; em relação ao SER, as suas regras principais eram: Abstém-te, Sofre e Resigna-te. Tudo em relação a si próprio; nada em relação aos outros.
Como vêem, há já muito tempo e muita tente, de diferentes lugares, a pensar no que é isso de ser FELIZ, o que é a FELICIDADE.
Mais recentemente surgiu uma versão que defende que a Felicidade está nos nossos genes. Esta noção é descrita por Paul Martin, doutorado em Biologia comportamental na Universidade de Cambridge. E acrescenta que a felicidade “ficará ajustada no momento da concepção.”
Aqui, eu DESPERTEI. É que o que se chama de GENES, nós podemos claramente relacionar com VIDAS PASSADAS e com a organização de uma nova encarnação.
Diz ele, também, que “a felicidade reside na mente”; mas eu estou mais inclinado a dizer que reside no Espírito (e já explico porquê…)
Sobre essa base ou princípio que cada um de nós é, assentam depois as experiências de vida, as atitudes e as maneiras de pensar, e nestas têm, nos primeiros tempos, um grande impacto ou uma grande influência os pais e a escola e, mais tarde, toda a sociedade e a sua época.
O que significa que, como tudo, a Felicidade pode ser aprendida e treinada (ou educada).
Explica Paul Martin, o Biólogo Comportamental de quem falei, que experiências neurocientíficas, cuidadosamente controladas, revelaram que certas formas de meditação produzem alterações na actividade cerebral que estão associadas a sentimentos de felicidade e ausência de ansiedade. Ora, esta actividade cerebral é mais notada, è mais sentida numa região do cérebro onde se situa a tal glândula pineal (ou epífise) onde alguns cientistas e filósofos atribuíram a localização da ALMA. É curioso. E esta, hein??
Das diferentes ideias que nós fazemos da Felicidade algumas são erros enormes, ou mesmo mitos. Um deles, talvez dos maiores, é o de que a Felicidade é alimentada pela riqueza e pela fama – o dinheiro e a fama podem, aparentemente, fazer-nos sentir melhor durante uns tempos, mas não muito melhor, nem por muito tempo.
Ganhar o Euromilhões, aparecer na televisão ou comprar um iate não é caminho para uma felicidade duradoira. Até porque a constante procura da riqueza, do sucesso, do reconhecimento social distorce as vidas das pessoas e torna-as INFELIZES, isto é, o materialismo excessivo é frequentemente a causa da INFELICIDADE.
Poderemos, no entanto, afirmar que de um modo geral Felicidade é um estado mental (e de espírito) composto por três elementos
- o prazer, que tem a presença do contentamento, da alegria e do afecto;
- a ausência do desprazer, isto é, a ausência de emoções negativas, como a tristeza, a ansiedade, o medo, a ira, a culpa, a inveja, a vergonha; e
- a satisfação, que reflecte aspectos da nossa vida em relação com os outros ou com a nossa carreira, profissional ou não.
Idêntica opinião tem o Dr. Roque Cabral (que foi Professor da Faculdade de Filosofia de Braga) quando diz “que a Felicidade corresponde à satisfação experimentada por um indivíduo ao realizar aquilo que aspirava”. Diz ainda “que é mais espiritual que o prazer e menos completa que a beatitude.”
Aqui vamos ao velho latim pedir ajuda:
- beatitude é, em termos religiosos, a felicidade eterna e suprema, e em latim beatitudine
(que até parece nome de remédio) significa, vejam só, FELICIDADE e beatu significa FELIZ.
Ora, agora, a gente já começa a entender algumas coisas, como por exemplo:
- que a Felicidade é mais que só prazer;
- que a Felicidade não pode ser um sentimento egoísta;
- que a Felicidade depende dos objectivos das nossas vidas;
- que a Felicidade se relaciona com a perfeição; com a caridade; com o amor; com o bem;
com a justiça e que, naturalmente, “não é deste mundo” como antes referi e nos diz o Evangelho; não é deste mundo físico, devo acrescentar.
Das dúvidas e/ou omissões que para trás ficaram podemos, porém, colher alguns esclarecimentos no Livro dos Espíritos, no capítulo “Penas e Gozos Terrenos”, e logo na primeira pergunta do capitulo: “O homem pode gozar na Terra uma felicidade completa”?
E a resposta que nos é dada: “Não, pois a vida foi-lhe dada como prova e expiação, mas dele pode depender abrandar os seus males e ser tão feliz quanto possível.
E, a seguir, aparece outra pergunta: “A felicidade terrena é relativa à posição de cada um; o que é suficiente para a felicidade de um, pode fazer a desgraça de outro. Há no entanto, uma medida comum de felicidade para todos os homens?”
A resposta é clara: “A medida comum para a vida material é a posse do necessário; para a vida moral e a consciência pura e a fé no futuro.”
Não é preciso, de facto, mais explicações. Entendamos, pois, que estamos aqui de passagem e no que nesta passagem fizermos, por nossa escolha, assim atingiremos maior ou menor grau de felicidade, depois da passagem chegar ao seu fim.
Como diz o povo: “quem boa cama fizer, nela se deitará”. Estamos entendidos?
Não nos deixemos, porém, cair no desânimo, não digamos “ai mãe, que eu não sou capaz”, “ai meu Deus que nunca mais vou ser feliz”.
Nada disso – ao contrário, temos que, com optimismo, pensar que se pode fazer bem a alguém e fazê-lo; que se pode dar com maior prazer do que quando se recebe; que somos capazes de enxugar uma lágrima, e enxugamo-la.
As condições são sempre as mesmas e estão contidas na frase “sem caridade não há salvação”, tomando aqui SALVAÇÃO como sinónimo de FELICIDADE.
Apetece-me transcrever, aqui, um pequeno trecho de Joana de Ângelis no livro Desperte e seja feliz.:
“A luz brilha mais quando a escuridão predomina. O medicamento destina-se ao enfermo. A água fresca sacia a sede. O pão generoso vence a fome.
É natural que, num planeta em processo de depuração, haja predominância do desequilíbrio e, portanto, da violência, do prazer enlouquecedor, da destruição.
O futuro, no entanto, desenha-se assinalado pelas realizações enobrecedoras, quando não mais haverá crime ou hediondez, aberração ou vício, maldade ou desgraça.
Os Espíritos que agora habitam a Terra passam pelo teste selectivo da qualidade moral…Os bons prosseguirão, os maus aguardarão em outros planos onde se modificarão para melhor.
A Tua harmonia é necessária desde hoje, para diminuir o tumulto, o caos. Começa, desde agora, a tua transformação interior, optando pelo sacrifício, acções elevadas, o bem sem limite.
Nesta operação, manter-te-ás em harmonia como instrumento dócil nas mãos de Deus, que prossegue operando em favor do MUNDO FELIZ DE AMANHÃ."
Por outras palavras – a oportunidade que esta encarnação nos dá é uma FELICIDADE; é a oportunidade que nos è dada de fazer melhor por nós e pelos outros.
Então é de aproveitá-la; vamos “investir” agora no BEM e na BONDADE; desse “investimento”, o “lucro” será MAIS FELICIDADE. Mas como o nosso percurso não começou nesta nossa vida actual, nesta encarnação, temos que perceber que a FELICIDADE, maior ou menor, que no presente nos é dada, permitida ou merecida, é efeito ou consequência do que em, vidas anteriores , fizemos. Tenhamos nós a consciência tranquila, estejamos nós de bem connosco próprios, e sentir-nos-emos FELIZES. Façam, então, todos “O FAVOR DE SER FELIZES”, como dizia o nosso Raul Solnado nos seus programas na televisão.

Deixo-vos 3 ou 4 comentários sobre o tema de hoje, de Espíritos e Mentes mais sabedores do que nós:
- O Bem que fizemos na véspera é o que nos traz a Felicidade na manhã seguinte (provérbio hindu)
- Não existe um caminho para a Felicidade; a felicidade é o Caminho. (Gandhi)
- Se alguém não encontra a felicidade dentro de si mesmo, é inútil procurá-la noutro lugar
(La Rochefoucauld – filósofo)
- A Felicidade depende das qualidades próprias do indivíduo e não do estado material do meio em que vive (Kardec).
-Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e todas as coisas vos serão dadas por acréscimo. ( Jesus Cristo).
(Linhas-base da palestra proferida pelo Reis a dia 29 de Setembro)

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Espiritismo nas Universidades de Cambridge e Oxford, Inglaterra

Depois de aqui ter colocado uma síntese da notícia sobre a ida de Luís de Almeida à Universidade de Sorbonne, Paris VI (U. Pierre et Marie Currie ) no âmbito da conferência «Porque sou cientista e espírita?», segue-se um artigo publicado na Revista Internacional de Espiritismo do mês de Setembro (pp. 444-5). O texto é da autoria de José Santos a quem a Casa da Boa Vontade agradece profundamente pela autorização para a publicação do texto integral e das fotos neste blogue.



ESPIRITISMO NAS UNIVERSIDADES DE CAMBRIDGE E OXFORD, INGLATERRA

O Professor Doutor Luís de Almeida, cientista português da Agência Espacial Europeia (ESA) e da Agência Espacial Norte-Americana (NASA) levou a Doutrina Espírita aos rigorosos meios acadêmicos das Universidades inglesas de Cambridge e Oxford.
Na respeitada Universidade de Cambridge que deu ao mundo oitenta e um "Prêmios Nobel" e albergou nomes como Sir Isaac Newton, Bertrand Russell, J. J. Thomson, Ernest Rutherford, Niels Bohr, Paul Dirac, Max Born, James Watson, Steven Weinberg e Stephen Hawking entre tantos outros... o cientista português levou a cabo duas conferência sobre "O que é espiritismo, e o que não é espiritismo" e outra sobre "O Papel do Espiritismo na sociedade vigente e a importância do Espiritismo na vida de um cientista”. O evento decorreu no dia 14 de Julho, às 9 horas e segunda conferência às 14 horas e teve lugar no conceituado «Instituto de Ciências Matemáticas Isaac Newton», dirigido, actualmente pelo Professor Doutor Stephen Hawking, com o título de professor lucasiano (nome que se dá a uma cátedra) outrora ocupada por Isaac Newton.
É a primeira vez que um espírita, profere uma palestra sobre o Espiritismo na conceituadíssima Universidade de Cambridge, Faculdade de Matemática da Universidade de Cambridge e no Instituto de Ciências Matemáticas Isaac Newton do Reino Unido, e para um público totalmente europeu onde só constavam cientistas, professores e estudantes universitários. O auditório totalmente lotado comportou cerca de 500 pessoas.
Tudo começou com uma brincadeira entre cientistas ingleses, irlandeses e escoceses com o cientista português. Face à racionalidade com que o Prof. Dr. Luis de Almeida “fala” sobre a Doutrina Espírita na seio da “família” de cientista, esta despertou o interesse dos seus colegas que sem ele saber tinham agendado uma conferência espírita, exclusiva ao meio académico. Conferência essa que nem sequer foi divulgada e o pesquisador português até a desconhecia. Soube dois dias antes já que tinha que se deslocar à Universidade de Cambridge em trabalho.
O cientista Luis de Almeida abordou sempre de forma magistral um paralelismo constante entre Espiritismo e Ciência (Astrofísica e Cosmologia): falando-nos primeiramente dos fenômenos espíritas, que despertou interesse ao longo da história da humanidade, levando a vários cientistas como o físico-químico inglês Sir William Crookes o astrônomo francês Camille Flammarion e o pedagogo francês Hippolyte Léon-Denizard Rivail (Allan Kardec) entre tantos outros homens de ciência, a se interessarem pelo assunto despertando a “curiosidade” – a alma do cientista – e levando-os a fazer suas pesquisas e estudos exatamente como os cientistas atuais fazem na sua vida profissional... Continuando na sua linha de analogia entre “Ciência e Espiritismo” o cientista português afirmou mesmo que ser espírita é ser como um cientista, «… sermos homens e mulheres dos “Porquês..?” Querermos sempre sabermos mais. Compreendermos mais ainda para melhor conhecer a vida e conhecermo-nos a nós próprios… esta é a proposta impar que a Doutrina Espírita nos oferece. Uma doutrina lógica e racional, libertadora e consoladora… que consola o coração com a razão e liberta a mente com o amor…» atestou Luis de Almeida de forma surpreendente levando a audiência a interromper com uma salva de palmas…. Luís de Almeida comenta com o auditorio que o Espiritismo “nasceu” em França e vários vultos da cultura inglesa e mundial como Sir Arthur Conan Doyle, os matemáticos ingleses Lord Rayleig e Prof. De Morgan, Sir David Brewster, o médico russo Aleksander Aksakof, o Prof. Butlerof, o astrónomo alemão Friedrich Zöllner, o fisiologista francês Charles Richet, o naturalista inglês Alfred Russel entre centenas de tantos outras individualidades estudaram esses fenômenos e que atualmente a Inglaterra e os EUA têm vários pesquisadores de primeira linha na continuidade desses estudos, rumo a uma maior conhecimento das perguntas que todos os cientistas indagam; quem somos, de onde viemos e para onde vamos…. Falando na “linguagem” da plateia, Luís de Almeida explica, que Portugal tem a Fundação Bial na cidade do Porto que concede bolsas aos pesquisadores para estudarem o “espírito”… sendo os congressos da Bial dos mais conceituados da Europa em nível médico. No Brasil, o médico psiquiatra Alexander Moreira-Almeida, a Profa. Dra. Dora Incontri (pedagoga) e o Eng. Hernani Guimarães de Andrade (falecido), todos de S. Paulo, deram e dão enormes contribuições para um Espiritismo muito sério, com rigor e voltados, também, para o meio acadêmico. Sem esquecer a vida do maior médium espírita psiccógrafo de todos os tempos, Francisco Cândido Xavier, com mais de 400 livros das mais variadas áreas e escritos por espíritos e estudado pela NASA.
Luis de Almeida explica à platéia inglesa, que nunca tinha ouvido falar de Espiritismo, que por vezes as pessoas mal-intencionadas e ligadas ao ocultismo, tarot, astrologia, adivinhações e outras crendices populares se intitulam de espíritas face à seriedade e respeitabilidade que os espíritas têm. Numa viajem histórica explica que Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Bélgica, Rússia, Suécia entre tantos países europeus tinham um grande número de adeptos, mas que a I e II Grandes Guerras abalaram fortemente o alicerce do Espiritismo europeu e o que restou, Portugal e Espanha, a ditadura de Salazar e Franco quase acabaram com o que sobrou, onde em Espanha, o General Franco mandou fuzilar espíritas…
Face ao interesse dos acadêmicos de Cambridge a conferência continuou até às 13h30 reiniciando-se depois às 14 horas onde o pesquisador português explicou como cientista a importância que o Espiritismo tem na sua vida e na sua profissão…narrou fatos pessoais em que muitos dos colegas intervinham para relatar fatos semelhantes… e explicou que na Inglaterra existe uma Federação Espírita que se chama British Union of Spiritist Societies embora dirigida por imigrantes brasileiros radicados em Inglaterra.
Devido ao enorme interesse o cientista português Luís de Almeida foi convidado por vários colegas de outras universidades inglesas para proferir mais conferências no meio acadêmico rigoroso inglês, mas por impossibilidade profissional só aceitou proferir na Universidade de Oxford, já que ia para lá também a trabalho…em que brindou a audiência com o tema «Por que sou cientista e espírita». O evento ocorreu na segunda-feira, 16 de Julho, às 15 horas e teve lugar no venerado «Departamento de Física da Universidade de Oxford», do Reino Unido, local de "culto" para a ciência oficial, sem qualquer divulgação tendo sido marcado de um dia para o outro, estiveram presentes cerca de 250 acadêmicos ingleses.
Ficou demonstrado que os europeus estão bem receptivos à Doutrina Espírita.


Cambridge



Centro de Pesquisa Francês

Oxford



Sorbonne

sábado, 29 de setembro de 2007

Saúde Espiritual

Já a sabedoria grega ensinava que, estando a mente sã, o corpo também estaria. A vida caminhou séculos e séculos depois desta grande civilização, para reforçar o ensino dos nossos dias e mostrar ao ser que, quando o pensamento se faz sadio, o corpo reflecte-lhe o equilíbrio e torna a vida mais agradável.

A constituição do Ser Humano
Allan Kardec informa-nos que o ser humano é formado por três partes essenciais: pelo corpo material, pelo perispírito (também conhecido por corpo espiritual ou actualmente como MOB - Modelo Organizador Biológico) e a alma.
Perispírito
Para entender melhor todo processo da saúde, temos de definir melhor o conceito de "perispírito". Do gr. peri, em torno, e do lat. spiritus, alma, espírito, o perispírito é o envoltório semi-material, subtil e perene da alma, que possibilita sua a interacção com os meios espiritual e físico.
A palavra foi empregue pela primeira vez por Kardec, no item 93 de O Livro dos Espíritos, mas diversas denominações existiram no curso do tempo: mano-maya-kosha (na Índia védica),
baodhas (no Zend-Avesta, dos persas), Kha ou Bai (entre os sacerdotes egípcios), rouach (na Cabala) ; kama-rupa (Budismo), eidolon, okhema, ferouer (entre os gregos), Khi (na tradição chinesa), corpo sidéreo (Paracelso), aerossoma (neognósticos), somod (Baraduc), corpo astral (entre os hermetistas, alquimistas, esoteristas, teosofistas).
Actualmente, o termo mais moderno é Modelo Organizador Biológico (MOB), de Hernani G. Andrade). MOB, pois modela e organiza biologicamente nosso corpo físico.

Do Perispírito, que transmite e influi, em muito, as impressões na formação do corpo físico, expande-se um laço fluídico que prende o espírito ao corpo material desde o instante da concepção.

O perispírito, ou ”MOB”…
… garante a vitalidade e a manutenção da estrutura humana. Isto é, determina a quantidade de fluido vital que necessitamos para viver em cada encarnação, de acordo com a necessidade de cada um. Uns viverão 80 anos e outros apenas alguns dias, ou meses, ou poucos anos.
… é o agente intermediário, o condutor energético e o transmissor das impressões entre a alma e o corpo material e vice-versa.
… dadas as suas características inerentes, mantém todos os registos históricos da vida eterna da alma, servindo de instrumento da Justiça Divina.
Por ex: se abusei do álcool ou se me suicidei através de um tiro no coração, essa informação ficará marcada no meu MOB que determinará numa próxima encarnação lesões hépaticas e cardiopatias congénitas.
... possui Centros de Forças (CF), ou chakras, que sustentam a energia dos diversos sistemas existentes no corpo físico. São sete os principais chakras e fazem ligação com os diversos plexos nervosos. O CF Cardíaco, por exemplo, faz conexão com o plexo nervoso cardíaco.
O perispírito, ou MOB, é o agente viabilizador da reencarnação.

A Reencarnação é uma benção que permite também o tratamento, a correcção, a cura, o reequilíbrio, a reparação e a expiação, facilitando que a alma ascenda na escala espírita, pela prática e a conquista plena do Amor.

Em vossas aflições, portanto, olhai sempre o céu, e dizei, do fundo do vosso coração: “Meu Pai, curai-me, mas fazei que minha alma doente seja curada antes das enfermidades do meu corpo; que minha carne seja castigada, se preciso for, para que minha alma se eleve até vós." (Vianey, 1863) ESE, cap. VIII, item 20

Saúde e espiritualidade
A classe médica aos poucos vem tendo consciência de que todas as doenças têm origem espiritual. Como foi referido nas II Jornadas Portuguesas de Medicina e Espiritualidade (Julho-2007), apesar das últimas tecnologias de ponta em toda a área médica, nos recursos sociais e nos planos de Saúde, a percentagem população/doentes, é a mesma de 30, 40, 60 anos atrás. Temos novas equipamentos e também vão surgindo novas doenças. Quando a classe médica tratar primeiro a alma, o panorama será outro. Sobre isto farei uma pesquisa para o próximo trabalho (a religiosidade e as suas influências na cura/TVP ...)

Nos mundos em que se atingiram um grau superior, as condições da vida moral e material são bem diferentes das da terra.... O corpo nada tem da materialidade terrestre, e não está, por conseguinte, sujeito as necessidades, nem às doenças.... (Cf. ESE, cap. III, item 9)

Quando uma aflição não é consequência dos actos da vida presente, é preciso procurar-lhe a causa numa vida anterior. ESE, cap. VIII, item 21

As doenças são efeitos que decorrem de causas inferiores, tais como vícios, crimes, desvirtudes, invigilâncias e desequilíbrios.

A lei de causa e efeito promove a evolução do Espírito, pois encontra em si mesmo os resultados enobrecedores ou deprimentes das próprias acções: Débitos > Contenção > Renovação

O Pensamento é uma modalidade de energia subtil, que actua em forma de onda com uma velocidade superior à da luz. Sintetiza verdadeiramente a nossa maneira de ser. Cf. LE 459 e ESE


Temos apenas um cérebro que se divide em três regiões distintas:
1º - SUBCONSCIENTE – Residência dos nossos impulsos automáticos – Sumário vivo dos serviços realizados – Passado.
2º - CONSCIENTE – Domicílio das conquistas actuais. Esforço e Vontade para edificar qualidades nobres. Presente
3º - SUPERCONSCIENTE – Casa das noções superiores que nos indica as eminências que nos cumpre atingir: o Ideal é a meta a ser alcançada (Perfeição e a felicidade) – Futuro

Algumas relações de causa-efeito
* Orgulho, Vaidade, Tirania, Egoísmo, Preguiça, Crueldade, Cólera - A Cegueira, Mudez, Idiotia, Surdez, Paralisia, Cancro, Epilepsia, Lepra, Diabete, Loucura...
* Álcool e Toxicomania - doenças de desequilíbrio no pâncreas e hepáticas.
* Gula - problemas de ordem do sistemas gastro-intestinal.
*Aborto- cancro e obsessões.
*Suicídio (uma transgressão grave às leis divinas) - Doenças e sofrimento no plano espiritual e na próxima encarnação.
* Sexo desvirtuado ou depravado - problemas de ordem genésica.

OBSESSÃO (Afinidades, propensão idênticas, vinganças, ódios etc)

A água
A água é um dos corpos mais simples e receptivos da Terra” (Emmanuel)
Ela pode adquirir qualidades poderosas e eficientes sob a acção do fluido espiritual ou magnético ao qual servem de veículo, ou se quiserem, de reservatório. semelhança a acção do medicamento homeopático. (A Génese, cap. XV, item 25)

No Espiritismo, denomina-se de água fluidificada ou magnetizada aquela que recebeu acção magnética (do encarnado) ou espiritual (do desencarnado).
Condensa linhas de força magnéticas e princípios eléctricos que aliviam e sustentam, ajudam e curam. (Emmanuel)

Masaru Emoto , depois de 8 anos de pesquisa, ajuda a confirmar cientificamente o que Kardec e Emmanuel já descreviam sobre a água.
Considerando que a água reflecte a energia que está sendo mandada para ela, a estrutura cristalina reflecte asvibrações do grupo. Se vosê tem uma pessoa rezando com profundo senso de clareza e pureza, a estrutura cristalina será clara e pura. Num grupo de pessoas, se a interacção delas como grupo não é coesa, você termina com uma estrutura não coesa na água. Porém, se todos estiverem unidos, juntos, você achará um claro e belo cristal, como que criado da reza de uma só pessoa de profunda pureza.
O resultado desta pesquisa foi publicado em 1999, no Livro Mensagens escondidas na água.


A água, quando fluidificada para uso de muitos, terá acção reconfortadora e tonificante; quando fluidificada para determinada pessoa, só por ela deve ser usada pois adquire propriedades especiais nem sempre aplicáveis a outrém.

Como fluidificar a água ?
Fazendo o evangelho do lar.
Jesus curou o cego de Jericó aplicando-lhe o passe magnético imitado pelos discípulos que, em seu nome, aliviavam males do corpo e da alma. O Espiritismo revive o mesmo tratamento, em toda sua simplicidade, sem magia, sem mistério, sem ritualismo.
Ao orar, estamos agindo com o pensamento e a vontade; exteriorizamos poderes, emanamos fluidos bons; e a água recebe esta influência. Para além disso, estamos a atrair bons espíritos.
A aplicação do passe no Centro Espírita é sempre uma terapia de superfície. É uma mera especialização de um dom próprio do ser humano. O merecimento é factor decisivo na nossa melhora, pois, só Deus sabe. A passagem de energias é feita no nosso quotidiano. Ex.: a mãe , o médico, o religioso, a benzedeira.
Nas práticas do bem comum, o mais importante não é curar, e sim ensinar o doente a conviver com a enfermidade até à sua autocura.

A propósito, vale a pena lembrar o que André Luiz (psicografia por Chico Xavier) chama de caso de décima vez: quando o paciente, depois de receber socorro completo por dez vezes consecutivas, não modifica sua atitude mental para melhor, os bons Espíritos “deixam o enfermo entregue a si mesmo”, por enquanto, pois sua missão é de “amparar os que erram e não fortalecer o erro”. (Missionários da Luz, cap XIX- Passes).

Regras de Saúde
Ø Actividades edificantes e sadias – quando necessário procurar ajuda médica – praticar exercícios e esportes.
Ø Cuidar do ar que respiramos, da água e líquidos que bebemos, assim como dos alimentos que ingerimos
Ø Asseio diário
Ø Sono reparador e lazer relaxante.
Ø Manter o ambiente alegre e sadio no lar, no trabalho, na sociedade
Ø Orar e meditar. Procurar ser alegre e afastar os pensamentos negativos(queixas,lamentações, depressão).

O Centro Espírita
Aconselhamento espiritual
Evangelização
Obras complementares de estudo
Oração
Passe Magnético e água magnetizada
Palestras
Operações espirituais
Emmanuel, por Chico Xavier

A Oração
Cada doença tem uma linguagem silenciosa e faz-se acompanhar de finalidades especiais.
Usa os remédios humanos, porém inclina-te para JESUS.
É importante combater as moléstias do corpo, mas ninguém conseguira eliminar os efeitos quando as causas permanecem. As doenças persiste porque demoramos a rearmonizarmos intimamente
O Evangelho do lar é a receita para humanidade doente.
A epidemia é uma provação colectiva.
A doença é contingência natural, inevitável às criaturas em processo de evolução.

E a oração da fé salvará o doente e o Senhor o levantará (Tiago, 5:15)

A oração é um poderoso auxiliar para cura de nossos males.
O melhor remédio é a vontade sadia. Porque a vontade débil enfraquece a imaginação e a imaginação doentia debilita o corpo.
A cura está nas nossas mãos. Só o Amor pode curar a doença da alma.

Podemos dizer que...
... saúde é actividade, acção, trabalho!
... doença é ociosidade, ausência do bem, espera do incerto.
Enquanto agimos, ocupamos a mente, exercitamos a razão, desenvolvemos o sentimento e construímos o destino.
A Saúde está, indiscutivelmente, ligada ao acto de ser útil, amando o próximo. Esta utilidade é sempre serviço para o bem comum da humanidade.

“Os espíritos amigos sempre mostram disposição de nos auxiliar, mas é preciso que, pelo menos, lhes ofereçamos uma base... Muitos ficam na expectativa do socorro do Alto, mas não querem nada com o esforço de renovação; querem que os espíritos se intrometam na sua vida e resolvam seus problemas... Ora, nem Jesus Cristo, quando veio à terra, se propôs a resolver o problema de alguém... Ele se limitou a nos ensinar o caminho que necessitamos palmilhar por nós mesmos.”
Chico Xavier

Bibliografia Base:
Livros Base de Kardec:
Evangelho Segundo o Espiritismo
Livro dos Espíritos
Livro dos Médiuns
Mensagens de Saúde Espiritual – Wilson Garcia
Doenças Cura e Saúde à Luz do Espiritismo
Material do II Curso de Capacitação do Trabalhador na Casa Espírita, realizado em Leiria pelo Conselho Espírita Internacional (Junho 2007).
II Jornadas Portuguesas de Medicina e Espiritualidade – Lisboa (Julho-2007)
(Linhas-base da palestra proferida pelo Beni a 22 de Setembro)

domingo, 23 de setembro de 2007

“Vigiai e orai”

“Vigiai e orai”: O valor da Oração/Prece nas Sagradas Escrituras, na Codificação Espírita e na Literatura Espírita/Espiritualista


Sagradas Escrituras

“Vigiai e orai para não cairdes em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca.” (Mt, 26, 41)

“Manassés: corrupção e conversão – (…) Manassés, porém, levou o povo de Judá e de Jerusalém a cometer erros maiores que os erros das nações que Javé tinha arrasado diante dos israelitas. Javé falou a Manasses e ao seu povo, mas eles não o atenderam. Então, Jávé fez vir contra eles os generais da Assíria, que algemaram Manasses, o acorrentaram e o levaram para a Babilónia. Ao ver-se em apuros, Manasses procurou agradar a Javé, seu Deus, humilhando-se profundamente diante do Deus dos seus antepassados. Suplicou a Javé, e Este comoveu-se. Javé ouviu a sua súplica e trouxe-o de volta para Jerusalém, para o seu reino. Foi assim que Manasses reconheceu que Javé é o verdadeiro Deus.” (2 Cr 33, 9-13)

“Parábola do juiz iníquo – Depois disse-lhes uma parábola sobre a obrigação de orar sempre, sem desfalecer: “Em certa cidade, disse Ele, havia um juiz que não temia a Deus, nem respeitava os homens. Vivia também naquela cidade uma viúva que ia ter com ele e lhe dizia: Faz-me justiça contra o meu adversário. Durante muito tempo, recusou-se a atendê-la; mas, um dia, disse consigo: Embora eu não tema a Deus nem respeite os homens, contudo, já que esta viúva me incomoda, vou fazer-lhe justiça, para que me deixe e não volte a importunar-me.” E o Senhor continuou: “Escutais o que diz este juiz iníquo? E Deus não fará justiça aos Seus eleitos, que a Ele clamam dia e noite, e fá-los-á esperar? Far-lhes-á justiça prontamente, digo-vo-lo Eu. Mas, quando o Filho do Homem voltar, encontrará fé sobre a terra?” (Lc 18, 1-8)

“História de Isaac e Jacob – (…) Isaac tinha quarenta anos quando se casou com Rebeca, filha de Batuel, o arameu de Padã-Aram, e irmã de Labão, o arameu. Isaac implorou a Javé por sua mulher, por que ela era estéril: Javé escoutou-o e a sua mulher Rebeca ficou grávida.” (Gn 25, 20-21)

“Anúncio do nascimento de João – (…) Todo o povo estava da parte de fora em oração, à hora do incenso. Apareceu-lhe, então, o anjo do Senhor, de pé, à direita do altar do incenso. Ao vê-lo, Zacarias ficou perturbado e encheu-se de temor. Mas o anjo disse-lhe: “Não tenhas receio, Zacarias, a tua súplica foi atendida. Isabel, tua mulher, vai dar-te um filho e chamar-lhe-ás João.” (Lc 1, 10-13)

“O epiléptico demoníaco – Reunindo-se aos discípulos, viu em torno deles uma grande multidão e uns escribas a discutirem com eles. Assim que viu Jesus, toda a multidão ficou surpreendida e acorreu a saudá-Lo. Ele inquiriu: Que estais a discutir uns com os outros? Alguém, dentre a multidão, disse-Lhe: “Mestre, trouxe-Te o meu filho, que tem um espírito imundo. Quando se apodera dele, atira-o ao chão e ele põe-se a espumar, a ranger os dentes e fica rígido. Pedi ao Teus discípulos que o expulsassem, mas eles não conseguiram.” Disse-lhes Jesus: “Ó geração incrédula, até quando estarei convosco? Até quando vos hei-de suportar? Trazei-mo cá.” E levaram-lho. Ao ver Jesus, o espírito sacudiu violentamente o menino, e este, caindo por terra, começou a estrebuchar, deitando espuma pela boca. Jesus perguntou ao pai: “Há quanto tempo sucede isto?” “Desde a infância”, respondeu, e muitas vezes o tem lançado ao fogo e à água, a fim de o matar. Mas se podes alguma coisa, socorre-nos, tem compaixão de nós.” “Se podes…! Tudo é possível a quem crê”, disse-lhe Jesus. Imediatamente o pai do menino disse em altos brados: “Eu creio! Ajuda a minha incredulidade.” Vendo Jesus que afluía muita gente, ameaçou o espírito imundo, dizendo-lhe: “Espírito mudo e surdo, Eu te mando, sai do menino e não voltes a entrar nele.” Dando um grande grito e sacudindo-o violentamente, saiu. O menino ficou como morto, a ponto de a maior parte dizer que tinha morrido. Mas tomando-o pela mão, Jesus levantou-o e ele pôs-se de pé. Quando Jesus entrou em casa, os discípulos perguntaram-Lhe em particular: “Porque é que nós o não pudemos expulsar?” Respondeu: “Esta casta de demónios só pode ser expulsa com oração e jejum.” (Mc 9, 14-29)

“Sede diligentes, sem fraqueza, fervorosos de espírito, dedicados ao serviço do senhor; alegres na esperança, pacientes na tribulação, perseverantes na oração, socorrendo os santos nas suas necessidades, exercendo a hospitalidade.” (Rom 12, 11-13)

“Ora o fim de todas as coisas está próximo. Sede, portanto, prudentes e vigiai na oração. (1 Pe 4, 7)

“Sede perseverantes e vigilantes na oração acompanhada de acção de graças.” (Col 4, 2)

“Quanto a nós, entregar-nos-emos assiduamente à oração e ao serviço da palavra.” (Act 6, 4)

“Depois de lhes terem constituído anciãos em cada Igreja (novos discípulos), pela imposição das mãos, e de terem feito orações acompanhadas de jejum, recomendaram-nos ao senhor, em Quem tinham acreditado.” (Act 14, 23)

“Está alguém entre vós aflito? Entregue-se à oração. Está alguém contente? Cante louvores. Está alguém entre vós doentes? Chame os presbíteros da Igreja e que estes orem sobre ele, ungindo-o com o óleo (azeite) no nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente e o Senhor restabelecê-lo-á; e, se cometeu pecados, ser-lhe-ão perdoados. Confessai os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros para serdes curados. A oração fervorosa do justo tem muito poder.” (Tgo 5, 13-16)

“Deus ouve o clamor do pobre – Não tentes subornar a Deus, porque Ele não aceitará o suborno. Não confies num sacrifício injusto, porque o senhor é juiz que não faz diferença entre as pessoas. Ele não dá preferência a ninguém contra o pobre. Pelo contrário, atende a súplica do oprimido. Ele não despreza a súplica do órfão, nem a viúva que desafoga as suas queixas. Será que as lágrimas da viúva não lhe descem pela face, e o seu grito não se levanta contra quem a faz chorar? Quem serve o Senhor será recebido com benevolência, e a sua súplica chegará até às nuvens.” (Ecli 35, 11-16)

“Esperei no Senhor com toda a confiança e Ele atendeu-me. Ouviu o meu clamor e retirou-me do abismo e do lamaçal, assentou os meus pés na rocha e firmou os meus passos.” (Sl 39, 1-3)

Codificação Espírita

“A prece é agradável a Deus? – A prece é sempre agradável a Deus, quando ditada pelo coração, porque a intenção é tudo para Ele. A prece do coração é preferível à que podes ler, por mais bela que seja, se a leres mais com os lábios do que com o pensamento. A prece é agradável a Deus quando é proferida com fé, com fervor e sinceridade. Não creias, pois que Deus seja tocado pelo homem vão, orgulhoso e egoísta, a menos que a sua prece represente um acto de sincero arrependimento e de verdadeira humildade.” (LE, pergunta 658)

“A prece torna o homem melhor? – Sim, porque aquele que faz preces com fervor e confiança se torna mais forte contra as tentações do mal, e Deus lhe envia bons Espíritos para o assistir. É um socorro jamais recusado, quando o pedimos com sinceridade.” (LE, pergunta 660)

“Pode-se pedir eficazmente a Deus o perdão das faltas? – Deus sabe discernir o bem e o mal: a prece não oculta as faltas. Aquele que pede a Deus o perdão de suas faltas não o obtém se não mudar de conduta. As boas acções são a melhor prece, porque os actos valem mais do que as palavras.” (LE, pergunta 661)

“As preces que fazemos por nós mesmos podem modificar a natureza das nossas provas e desviar-lhes o curso? – Vossas provas estão nas mãos de Deus e há as que devem ser suportadas até ao fim, mas Deus leva sempre em conta a resignação. A prece atrai a vós bons Espíritos, que vos dão força de as suportar com coragem. Então elas vos parecem menos duras, Já o dissemos: a prece nunca é inútil, quando bem feita, porque dá força, o que já é um grande resultado. Ajuda-te a ti mesmo e o céu te ajudará; tu sabes disso. Aliás, Deus não pode mudar a ordem da Natureza ao sabor de cada um, porque aquilo que é um grande mal, do vosso ponto de vista mesquinho, para a vossa vida efémera, muitas vezes é um grande bem na ordem geral do Universo. Além disso, de quantos males o homem é o próprio autor, por sua imprevidência ou por suas faltas! Ele é punido pelo que pecou. Não obstante, os vossos justos pedidos são em geral mais escutados do que julgais. Pensais que Deus não vos ouviu, porque não fez um milagre em vosso favor, quando entretanto vos assiste por meios tão naturais que vos parecem o efeito do acaso ou da força das coisas. Frequentemente, ou o mais frequentemente, ele vos suscita o pensamento necessário para sairdes por vós mesmos do embaraço.” (LE, pergunta 663)

“Acção da Prece (a) – A prece é uma invocação: por ela nos pomos em relação mental com o ser a que nos dirigimos. Ela pode ter por objecto um pedido, um agradecimento ou um louvor. Podemos orar por nós mesmos ou pelos outros, pelos vivos ou pelos mortos. As preces dirigidas a Deus são ouvidas pelos Espíritos encarregados da execução dos seus desígnios; as que são dirigidas aos Bons Espíritos são também para Deus. Quando oramos para outros seres, e não para Deus, aqueles nos servem apenas de intermediários, de intercessores, porque nada pode ser feito sem a vontade de Deus.” (ESE, cap. 27, it. 9)

“Acção da Prece (b) – Ao atender o pedido que lhe é dirigido, Deus tem frequentemente em vista recompensar a intenção, o devotamento e a fé daquele que ora.” (ESE, cap. 27, it. 13)

“Acção da Prece (c) – O homem que não se julga suficientemente bom para exercer uma influência salutar, não deve deixar de orar por outro, por pensar que não é digno de ser ouvido. A consciência de sua inferioridade é uma prova de humildade, sempre agradável a Deus, que leva em conta a sua intenção caridosa. Seu fervor e sua confiança em Deus constituem o primeiro passo do seu retorno ao bem, que os Bons Espíritos se sentem felizes de estimular.” (ESE, cap. 27, it. 14)

“Eficácia da Prece (a) – Há pessoas que contestam a eficácia da prece, entendendo que, por conhecer Deus as nossas necessidades, é desnecessário expô-las a Ele. Acrescentam ainda que, tudo se encadeando no universo através de leis eternas, nossos votos não podem modificar os desígnios de Deus.
Há leis naturais e imutáveis, sem dúvida, que Deus não pode anular, segundo os caprichos de cada um. Mas daí a acreditar que todas as circunstâncias da vida estejam submetidas à fatalidade, a distância é grande. Se assim fosse, o homem seria apenas um instrumento passivo, sem livre-arbítrio e sem iniciativa. Nessa hipótese, só lhe caberia curvar a fronte ante os golpes do destino; sem procurar evitá-los; não deveria esquivar-se dos perigos. Deus não lhe deu o entendimento e a inteligência para que não os utilizasse, a vontade para não querer, a actividade para cair na inacção. O homem sendo livre de agir, num ou noutro sentido, seus actos têm, para ele mesmo e para os outros, consequências subordinadas às suas decisões. Em virtude da sua iniciativa, há, portanto, acontecimentos que escapam, forçosamente, à fatalidade, e que nem por isso destroem a harmonia das leis universais, da mesma maneira que o avanço ou o atraso dos ponteiros de um relógio não destroem a lei do movimento, que regula o mecanismo do aparelho. Deus pode, pois, atender a certos pedidos sem derrogar a imutabilidade das leis que regem o conjunto, dependendo sempre o atendimento da Sua vontade.” (ESE, cap. 27, it. 6)

“Eficácia da Prece (b) – Seria ilógico concluir-se, desta máxima: Aquilo que pedirdes pela prece vos será dado, que basta pedir para obter é injusto acusar a Providência se ela não atender a todos os pedidos que lhe fazem, porque ela sabe melhor do que nós o que nos convim. Assim procede o pai prudente, que recusa ao filho o que lhe seria prejudicial. O homem, geralmente, só vê o presente; mas, se o sofrimento é útil para a sua felicidade futura, Deus o deixará sofrer, como o cirurgião deixa o doente sofrer a operação que deve curá-lo.” (ESE, cap. 27, it. 7)

Literatura Espírita/Espiritualista

“Se, todavia, tiveres dificuldade em agir correctamente, em razão de a atitude viciosa encontrar-se arraigada em ti, recorre à oração com sinceridade, e a Consciência Divina te erguerá à paz.” (Momentos de Saúde, Divaldo Franco/Esp. Joanna de Ângelis, pág. 60)

“Não basta pedires a Deus ajuda, porém deves fazer a tua parte, sem o que, pouco ou nada conseguirás. Saúde ou doença, bem ou mal-estar dependem de ti.” (Momentos de Saúde, Divaldo Franco/Esp. Joanna de Ângelis, pág. 37)

“A prece forma o campo do pensamento puro e toda a construção respeitável começa na ideia nobre.” (Livro da Esperança, Francisco Cândido Xavier/Esp. Emmanuel, pág. 231)

“A oração, dentro da alma comprometida em lutas na sombra, assemelha-se à lâmpada que se acende numa casa desarranjada; a presença da luz não altera a situação do ambiente desajustado e nem remove os detritos acumulados no recinto doméstico, entretanto, mostra sem alarde o serviço que se deve fazer.” (Livro da Esperança, Francisco Cândido Xavier/Esp. Emmanuel, pág. 232)

“Não te descures. A noite da oração em família, do estudo cristão no lar, é a festiva oportunidade de conviver algumas horas com os Espíritos da Luz que virão ajudar-te nas provações purificadoras, em nome daquele que é o Benfeitor vigilante e Amigo de todos nós.” (SOS Família, Divaldo Franco/Esp. Joanna de Ângelis, pág. 77)

“A blandícia proporcionada pela oração, quando bem entendida pela criatura humana, proporcionar-lhe-á no seu exercício o reconforto e a coragem para todos os momentos, sempre que recorrendo aos seus tesouros e o fazendo com mais frequência do que lhe é habitual. Quando o ser humano ora, penetra nos arquivos espirituais e refaz-se, adquirindo paz e enriquecendo-se de sabedoria, por estabelecer uma ponte de vinculação com as fontes do conhecimento, de onde promanam os bens da Imortalidade.” (Sexo e Obsessão, Divaldo Franco/Esp. Manoel P. Miranda, pág. 272)

“A prece propicia forças espirituais e morais, mas a acção preenche os vazios existenciais, facultando vigor e superação das falsas necessidades a que o indivíduo, pelas hábitos doentios do passado, se efervora.” (Sexo e Obsessão, Divaldo Franco/Esp. Manoel P. Miranda, pág. 273)

“Entrámos, e todos estavam reunidos ao redor da mesa, em conversa animada. Sílvia pediu que ficássemos um em cada ponta da mesa. Ela ficou junto do meu pai e da minha mãe. Elevando o pensamento ao alto, começa a fazer uma oração magnífica, pedindo ao Pai protecção a todos os familiares cujos filhos voltaram para a espiritualidade de forma brusca e inesperada.
Numa invocação suprema, pede ajuda a meus pais que, entre tantos problemas, possivelmente não conseguiriam cumprir seus carmas unidos. Nesta hora, uma luz imensa que inundava Sílvia, se esparramou por toda a sala, concentrando-se com grande força nos meus pais. Fiquei muito surpreso, pois nunca tinha visto isso.
Os corpos físicos de meus pais pareciam estar sendo lavados por dentro e por fora; a luz era tanta que eles pareciam transparentes, e todos os órgãos e sistemas dos dois corpos ficavam visíveis para nós. Conforme essa luz penetrava neles, saíam substâncias escuras localizadas num e noutro ponto do corpo de ambos.
Em minha mãe, grande alívio foi dado em sua cabeça e seu coração. Em meu pai, o mais prejudicado era seu coração e o baixo-ventre. Não são permitidos maiores detalhes agora.
A sensação de alívio e bem-estar que ambos sentiam após essa operação foi muito grande. Até o humor e a disposição de ambos melhorou muito. Ficámos felizes com os resultados, pois iríamos deixar tudo bem. Abracei e beijei papai, mamãe, tia Flora, tio Marcos, e saí. Sílvia disse que procuraria estudar o caso junto de mentores maiores, para enviar a ajuda necessária.” (A Grande Viagem, Anita Godoy/Esp. Júlio, pág. 90-91)

“Ah! É preciso haver sofrido muito, para entender todas as misteriosas belezas da oração; é necessário haver conhecido o remorso, a humilhação, a extrema desventura, para tomar com eficácia o sublime elixir de esperança. Foi nesse instante que as neblinas espessas se dissiparam e alguém surgiu, emissário dos Céus. Um velhinho simpático me sorriu paternalmente.” (Nosso Lar, Francisco Xavier/Esp. André Luiz, pág. 24)

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“As palavras têm as suas frequências vibracionais individuais e únicas e já vimos como as palavras têm energia que influencia o universo. As palavras da sua boca têm um poder que influencia o mundo inteiro. Podemos mesmo dizer que as palavras que nos ensinam sobre a natureza são as palavras do Criador.
Conheço um homem que comprovou o poder e os benefícios das palavras, usando o seu próprio corpo. Nobuo Shioya é um homem a quem tenho o orgulho de chamar meu mestre.
(…)
Segundo o Mestre, há partículas espirituais que não podem ser vistas com os instrumentos da ciência actual porque existem na fronteira entre a terceira e a quarta dimensão. As palavras ditas com determinação têm um forte poder que reúne estas partículas espirituais, possibilitando realizar coisas no mundo tridimensional.
Em Setembro de 1999, tive a oportunidade de sentir verdadeiramente o poder das palavras tal como o Mestre Shioya o expressou. Nesse dia, aproximadamente 350 pessoas tinham-se reunido nas margens do Lago Biwa, o maior lago do Japão. Eu tinha reunido o grupo numa tentativa de o limpar. Há um velho ditado no Japão que diz que quando a água do Lago Biwa estiver limpa, a água de todo o Japão estará limpa. Outro dos objectivos da reunião foi o de rezar pela paz no mundo inteiro, agora que entrávamos no novo século.
Sob a direcção do Mestre Shioya, que na altura tinha 97 anos, esta grande multidão reuniu forças, numa afirmação pela paz no mundo, que juntou as nossas vozes e os nossos corações. Os nossos cânticos seriam ouvidos à volta de todo o lago e havia um sentimento especial que nos fazia sentir um arrepio na espinha.
Um mês após este evento, aconteceu uma coisa estranha no LagoBiwa. Os jornais relataram que as algas em putrefacção, que apareciam todos os anos e causavam um fedor insuportável, não tinham aparecido este ano.
Se não percebermos o princípio do espírito das palavras, este facto irá parecer realmente estranho, mas sabemos que este princípio tem o poder de influenciar toda a existência e de mudar o mundo quase de imediato. Não tenho nenhuma dúvida que o espírito das palavras gerado através daquelas orações determinadas pela paz no mundo teve o efeito de purificar a água do lago somente numa questão de momentos. Outro ponto importante é o facto de 350 pessoas se terem reunido e cantado juntas. A vontade combinada de tanta gente funcionou como uma força para mudar o universo.” (As Mensagens Escondidas na Água, Masaru Emoto, pág. 166-167)

Dr. Masaru Emoto – é um investigador reconhecido internacionalmente, que se tornou famoso ao demonstrar como a água está profundamente ligada à nossa consciência individual e colectiva. Nasceu no Japão, em 1943. Licenciou-se no Departamento de Humanidades e Ciências da Yokohama Municipal University, tendo como disciplina central as Relações Internacionais. Em 1992, formou-se em Medicinas Alternativas na Open International University. Fez investigações sobre a água por todo o planeta e apercebeu-se de que, na forma de cristais de gelo, a água mostra-nos a sua verdadeira natureza. O Mensagens Escondidas na Água foi publicado pela primeira vez no Japão e está traduzido em 11 línguas.
Usando fotografia de alta velocidade, o Dr. Masaru Emoto descobriu que os cristais formados em água gelada revelam alterações quando lhe são dirigidos pensamentos específicos e concentrados. Descobriu que a água proveniente de fontes límpidas e a água exposta a palavras de amor exibem padrões de flocos de neve brilhantes, complexos e coloridos.
Em contraste, a água poluída ou a água exposta a pensamentos negativos formam padrões incompletos e assimétricos, com cores baças. As implicações desta investigação geram uma nova consciência quanto ao modo como podemos exercer um impacto positivo na Terra e na nossa saúde pessoal.



“O que fizeste não mais podes impedir ou evitar. Disparado o dardo, ele segue o rumo.” (Momentos de Saúde, Divaldo Franco/Esp. Joanna de Ângelis, pág. 58)

Salmo 4:
“Quando Vos invocar, ouvi-me, ó Deus de justiça.
Vós que na tribulação me tendes protegido,
compadecei-vos de mim e ouvi a minha súplica.
Até quando, ó homens, sereis duros de coração?
Porque amais a vaidade e procurais a mentira?
Sabei que o Senhor faz maravilhas pelos seus amigos;
o Senhor me atende quando O invoco.
Tremei e não pequeis,
no silêncio dos vossos leitos falai ao vosso coração.
Oferecerei sacrifícios de justiça
e confiai no Senhor.
Muitos dizem: “Quem nos fará felizes?”
Fazei brilhar sobre nós, Senhor, a luz da vossa face.
Dais ao meu coração uma alegria maior
do que a deles na abundância de trigo e vinho.
Em paz me deito e adormeço tranquilo
porque só Vós, Senhor, me fazeis repousar em segurança.”

(Linhas-base da palestra proferida pelo C. a 15 de Setembro)

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Psiquiatria em Face da Reencarnação

O LAR
•Casa ou apartamento;
•Templo em cujo altar vivo, o Senhor nos situa o espírito para o aprendizado;
• Escola onde se pode recapitular pequenas experiências, lutando pela própria regeneração;
• Bênção de Deus na Terra;
• Sagrado refúgio do teu pão, sonho e estímulo ao trabalho santificante.

TIPOS DE LARES
•Lares, onde os seus componentes (pais, filhos, esposas e irmãos) vivem em paz e harmonia, num clima de amizade;
•Lares, onde a desconfiança, a mágoa e o ódio imperam (os seus componentes parecem inimigos e não suportam a mínima injunção à vida particular de cada um);
•Lares, onde os filhos guardam ressentimentos dos pais que, por sua vez, não toleram as mínimas faltas dos seus rebentos, substituindo os conselhos sãos e criteriosos pelas palavras ásperas, quando não pelos castigos físicos demonstrando rancor ou ódio;
•Lares, onde irmãos não se toleram; esposos que convivem no mesmo tecto pelas necessidades, pelas obrigações sociais, mas separados intimamente, dominados por verdadeiras repulsas;
•Lares, onde acontecem verdadeiras tragédias que os enlutam, sepultando a alegria de viver, a disposição para o trabalho, impedindo o descanso, o repouso e a tranquilidade.
•À conta desses infortúnios, enchem-se de lamúrias os consultórios médicos, os hospícios e surgem doenças novas que dão lugar a investigações científicas.

CONCLUSÕES DAS INVESTIGAÇÕES
•As conclusões, apesar de serem inúmeras, ainda estão muito aquém da verdadeira realidade pois são incapazes de explicar factos que se sucedem continuamente, e demonstram a fragilidade dos conceitos emitidos para a explicação de suas existências;
•A base fundamental para esses estudos ainda continua a ser desprezada pela ciência oficial – reencarnação;
•Cerca de 70% dessas tragédias humanas, mormente essas angústias, esses desesperos ou essas afinidades que separam ou aproximam as criaturas entre si, podem ser somente explicados pela reencarnação, na continuação de vidas materiais, para reencetar a sua marcha nesse aprendizado que é a existência terrena;
•As criaturas humanas atraem-se ou repelem-se, instintiva e momentaneamente, porque em existências passadas, ou foram muito amigas, ou entre elas se deram acontecimentos tão graves, que a sua lembrança está gravada no perispírito, e de tal maneira, que ele se ressente com a só aproximação do inimigo.
•Espíritos amigos ou inimigos reencarnam numa mesma família. Os primeiros, com a finalidade de estreitarem mais ainda os laços entre si; os segundos, obrigados a conviver sob o mesmo tecto, aproximados pelos laços consanguíneos, a fim de melhorarem seus sentimentos e dar guarida ao perdão contra ressentimentos ou causas várias que os haviam separado em existências anteriores;
•Quando se esforçam por modificar os seus sentimentos maus, aos poucos aproximam-se entre si mesmos, aprendendo a ser humildes e bons, despojando-se de projectos de maldade e vingança;
•Ao contrário, quando os acontecimentos que se deram entre eles foram por demais graves, acarretando essas mágoas profundas que se traduzem em ódios e esperanças de oportunidades para se vingarem, advêm essas antipatias comuns que nem mesmo os laços consanguíneos são capazes de atenuar ou destruir;
•Nascer, viver, renascer ainda – eis em que consiste a reencarnação, única teoria capaz de resolver o problema da vida e do destino;
•Reencarnação, única chave possível para abrir o entendimento da Psiquiatria e da Psicologia, a fim de livrá-las das teorias infundadas que têm transtornado o seu progresso, transformando-as na parte mais fraca e incompreensível dos ramos da medicina.
•Perdidas num mar de conjecturas estão as explicações para os génios:
Mozart – tocava qualquer música aos 4 anos e compunha aos 8;
Beethoven – descobria a geometria plana aos 12 anos;
Rembrant – desenhava como verdadeiro artista antes de aprender a ler;
Miguel Ângelo – era técnico perfeito aos 8 anos;
Henecke – sabia 3 línguas aos 12 anos
Hamilton – conhecia o hebraico e mais 11 línguas aos 13 anos;
Ericson – aos 12 anos tinha sob a sua responsabilidade 600 homens, como inspector do canal marítimo de Suez;
Jacques Chrichton – o génio monstruoso – discutia em latim, grego, hebraico e árabe, aos 15 anos.

Estas linhas serviram de base para a palestra proferida pela Ermelinda, no passado dia 8 de Setembro. A palestra resultou da leitura do livro homónimo de Inácio Ferreira de Oliveira, médico psiquiatra espírita brasileiro, e foi complementada com a selecção de algumas passagens.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Espiritismo na Universidade de Sorbonne

Luís de Almeida, cientista da Agência Espacial Europeia (ESA) e da Agência Espacial Norte-Americana (NASA) proferiu, no passado dia 4, em Paris, uma conferência intitulada «Porque sou cientista e espírita?» e destinada a um público de cientistas, professores e alunos universitários.
Mais pormenores, aqui.

Quem é Divaldinho?

Divaldinho Mattos nasceu a 13 de Março de 1955 em Fernandópolis, Brasil, tendo abraçado a Doutrina Espírita em 1973.
De palavra fácil e fluente, tornou-se num muito apreciado Orador, quer no Brasil, quer no estrangeiro, nomeadamente na América Latina, em Portugal e por toda a Europa.
Em 1982 fundou o Grupo Espírita Maria de Nazaré na cidade de Votuporanga, Estado de São Paulo, com o propósito de divulgar o Espiritismo e desenvolver tarefas assistenciais visando o bem-estar das famílias carenciadas da comunidade (disponibilização de alimentação, atendimento ambulatório e odontológico, reforço escolar e pré-escolar, cursos para gestantes ecursos profissionalizantes para jovens). Este grupo Espírita cresceu e é hoje composto por diversos departamentos onde são atendidos, por média diária, 75 idosos, 294 famílias e 502 crianças.

Divaldinho Mattos no CEBV

Divaldinho Mattos estará de novo no CEBV para apresentar um seminário intitulado Como detectar a Obsessão. Domingo, dia 16 de Setembro, das 10,00h às 18,00h. As inscrições podem ser feitas no local no próprio dia do Seminário.

Eu já tive a oportunidade de o ouvir numa das suas visitas a Portimão e fiquei fã. Aqui ficam, desde já, as boas-vindasdo CEBV ao nosso irmão e amigo Divaldinho.

A vinda de Divaldinho ao CEBV integra a sua visita ao Algarve e ao Alentejo durante o mês de Setembro, para a realização de palestras e de seminários de divulgação da Doutrina Espírita. A programação dos trabalhos públicos é a seguinte:

Dia 12: 21H15 - Palestra – Centro Espírita Luz Eterna, Rua de Santana, Bloco D r/c , Olhão

Dia 13: 21h30 - Palestra - Núcleo Familiar Espírita Mentor Amigo, Charneca-Pechão

Dia 14: 21H30 - Palestra – Associação Espírita O Consolador, Rua da Abelheira, Edif. S. Jorge, Quarteira

Dia 15 : 16H00 - Palestra - Associação Espírita de Lagos, Rua Infante Sagres, 50 - 1º, Lagos

Dia 16: 10H00 – 18H00 - Seminário “Como Detectar a Obsessão” - Centro Espírita Boa Vontade, Rua Luís Antão, 31, 4º, Portimão

Dia 17: 21H30 - Palestra "Como Vivem os Espíritos” – Portimão (local a designar)

Dia 18: 21H30 - Palestra – Associação Cultural Espírita Helil , Urbanização Quinta do Alto, lote 58, loja B, Faro

Dia 19: 21H00 - Palestra – União da Cultura Espiritualista de Olhão, Rua Dra. Paula Nogueira nº 58, Olhão

Dia 22: 21H00 - Palestra “Lei de Causa e Efeito” - Biblioteca Municipal de Faro (espaço cedido graciosamente)

Dia 23: 10H00 –18H00 - Seminário “Espiritismo, Paradigma para a Evolução” - Núcleo Familiar Espírita do Mentor Amigo, Charneca-Pechão

Dia 24: 21H00 - Palestra “Morrer e Desencarnar” - Sines (local a designar)

Dia 27: 21H30 - Palestra - Núcleo Familiar Espírita do Mentor Amigo, Charneca-Pechão

O valor das inscrições ajudará a organização nas despesas inerentes ao ciclo de seminários.

Organização: Núcleo Familiar Espírita do Mentor Amigo, Charneca-Pechão. Casa do Sol, Caixa Postal 485 Z, Sítio da Queijeira 8700 - 181 OLHÃO; Tel. 289 705 034 / 96 505 37 43

domingo, 26 de agosto de 2007

Estórias e parábolas

I
Embora tenha tido como ideia inicial um estudo comparativo dos valores veiculados nas parábolas de Cristo e nalgumas narrativas da tradição oral, para demonstrar que Deus pode chegar até nós através de meios diversos, acabei por me cingir a reflexões sobre o conceito de parábola e no motivo por que terá sido eleita como um dos recursos preferidos do Mestre na propagação da Sua palavra.

Vejamos algumas definições, retiradas do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa:

Estória ant. m.q. história; (1912) narrativa de cunho popular e tradicional; história (…)
Parábola narrativa alegórica que transmite uma mensagem indirecta, por meio de comparação ou analogia (…) (uma nota para esclarecer que, enquanto a fábula recorre à metáfora animal, na parábola as personagens são seres humanos. Já no apólogo, coexistem animais, pessoas e objectos).
Alegoria texto filosófico escrito de maneira simbólica, servindo-se de imagens e narrativas com o intuito de apresentar tropologicamente ideias e concepções intelectuais (…)
Etimologicamente, parábola, do grego. parabolé, ês, significa comparação, aproximação; semelhança; discurso alegórico (…). A sua evolução por via erudita originou o actual significado de parábola. Pela via popular, parábola originou palabra, parole, palavra.

Ampliando a noção de palavra para linguagem, vemos que o seu significado não se afasta muito do significado original de parábola. Efectivamente, a linguagem tem um conjunto de fases de execução desde o momento em que se toma a decisão de dizer e o momento em que o ouvinte compreende a mensagem:

I. Produção
Fase 1 (Sistema Nervoso Central)
- decisão de transmitir uma mensagem
- codificação linguística do pensamento
- planeamento da sua execução
Fase 2 (Sistema Nervoso Periférico)
- execução do planeamento através de mecanismo de produção de fala
II. Recepção
Fase 3 (Sistema Nervoso Periférico)
- o sinal de fala é captado pelo ouvido.
- o sinal de fala é transformado em sinal nervoso pela cóclea.
- o sinal nervoso é conduzido até às zonas específicas da audição pelo nervo auditivo
Fase 4 (Sistema Nervoso Central)
- O sinal de fala, já transformado em sinal nervoso, é conduzido às zonas específicas da linguagem onde é descodificado

A linguagem é, pois, uma representação da realidade. Na impossibilidade de se constituir como a realidade a que se refere, a linguagem presentifica-a simbolicamente, com recurso à dimensão semântica do signo. Como diz Carlos Reis, " (...) toda a representação trata de figurar, através de um elemento representante, a presença de um ausente, entendido como elemento representado.” (in O Conhecimento da Literatura – Introdução aos Estudos Literários, Coimbra, Livraria Almedina, 1995; p.80).
Quando digo a palavra mesa, digo-a porque é mais económico do que a trazer para aqui. Há outras realidades em que são mesmo impossíveis de serem transportadas. Mas a linguagem, como representação, é apenas uma forma de aproximação à realidade. Quando digo mesa, cada um de nós representa, mentalmente, a imagem de uma mesa, mas essa representação mental difere de pessoa para pessoa. Uma palavra origina tantas realidades quanto o número de pessoas envolvidas no acto de comunicação. Essas representações variam de acordo com o conhecimento que cada pessoa detém, ou seja, com a experiência de vida de cada um.




II
Sabemos que os espíritos evoluídos não recorrem à linguagem tal como a conhecemos para comunicarem entre si:
Para os Espíritos, principalmente para os Espíritos superiores, a ideia é tudo, a forma não é nada. Livres da matéria, a sua linguagem é rápida como o pensamento, pois é o próprio pensamento que entre eles se comunica sem intermediários. Devem, portanto, sentir-se mal quando são obrigados, ao se comunicarem connosco, a se servirem das formas demoradas e embaraçosas da linguagem humana e sobretudo de sua insuficiência e imperfeição, para exprimirem todas as suas ideias. (in O Livro dos Espíritos, Introdução, item XIII)
(…) os Espíritos não têm necessidade de vestir os seus pensamentos com palavras. Eles os percebem e os transmitem naturalmente entre si. Os seres encarnados, pelo contrário, só podem comunicar-se pelo pensamento traduzido em palavras. Enquanto a letra, a palavra, o substantivo, o verbo, a frase, enfim, vos são necessários para a percepção, mesmo mental, nenhuma forma visível ou tangível é necessária para nós. (Erasto e Timóteo, in O Livro dos Médiuns, II, item 225)
No entanto, Jesus, na sua vinda à Terra, teve de se submeter às limitações da linguagem humana para poder comunicar com os restantes encarnados. Se a linguagem como representação já limita a realidade que conhecemos, imagine-se a dificuldade que a Jesus foi imputada, para nos falar da realidade do Reino de Deus!
Conhecendo a nossa limitação intelectual e a limitação da nossa capacidade de compreensão (limitações maiores na época), Jesus recorreu ao discurso alegórico e adoptou o género parábola para proferir a Sua palavra. Era este o tipo de linguagem adoptado nos primórdios da humanidade, quando a nossa capacidade intelectual se encontrava num estado muito primitivo. A linguagem alegórica é hoje muitas vezes utilizada quando o destinatário é a criança e, através de arquétipos universais, fala-lhe directamente para os mecanismos do subconsciente.
A riqueza da parábola enquanto discurso alegórico permite que o seu conteúdo seja alcançado por cada um de nós de acordo com a própria faculdade, não excluindo, assim, ninguém. À semelhança do exemplo que dei com a palavra mesa, cada um de nós reconhecerá nas parábolas do Mestre as realidades adequadas ao seu grau evolutivo, sendo que nunca se esgotará a possibilidade de renovar a interpretação com as novas experiências de vida.
A primeira das suas parábolas que surge nos Evangelhos é a do Semeador Os próprios discípulos estranharam esta nova forma que Jesus adoptou nos seus discursos. Mas o Mestre apressou-se a justificar a sua estratégia retórica:
Aproximando-se de Jesus, os discípulos disseram-lhe: «Por que lhes falas em parábolas?» Respondendo, disse-lhes: «A vós é dado conhecer os mistérios do Reino do Céu, mas a eles não lhes é dado. Pois, àquele que tem, ser-lhe-á dado e terá em abundância; mas àquele que não tem, mesmo o que tem lhe será tirado. É por isso que lhes falo em parábolas: pois vêem, sem ver, e ouvem, sem ouvir nem compreender. Cumpre-se neles a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis; e, vendo, vereis, mas não percebereis. Porque o coração deste povo tornou-se duro, e duros também os seus ouvidos; fecharam os olhos, não fossem ver com os olhos, ouvir com os ouvidos, compreender com o coração, e converter-se, para Eu os curar.
Quanto a vós, ditosos os vossos olhos, porque vêem, e os vossos ouvidos, porque ouvem. Em verdade vos digo: Muitos profetas e justos desejaram ver o que estais a ver, e não viram, e ouvir o que estais a ouvir, e não ouviram.
(Mateus, 13: 10-17. Sublinhados meus).
Uma primeira leitura enxergará alguma maldade nas palavras do Mestre: dá-se aos que têm e aos que nada têm ainda lhes será retirado o pouco que possuem?! Uma leitura mais atenta permitir-nos-á concluir que Jesus explica que enquanto os apóstolos já possuem o discernimento para interpretar o Seu discurso, outros o não possuem, atribuindo significados diferentes ao pensamento linguisticamente por Ele codificado: Não possuindo esse discernimento, as realidades que mentalmente vão supondo existir são falsas realidades. Torna-se necessário, pois, que tais enganos lhes sejam retirados para que lhes seja possível enxergar a verdade. O amor de Jesus não permite, porém, a imposição. O livre arbítrio é sempre respeitado e a alegoria da parábola é semeada no subconsciente de cada um, à espera que a vontade e a lucidez a façam germinar. Foi a vontade e a fé que permitiram que os apóstolos, homens simples, rudes, e muitos deles marginalizados pela sua sociedade, ouvindo compreendessem e vendo percebessem… Estas últimas linhas mostram-nos que o Amor divino não é selectivo e que todos possuem a possibilidade de regeneração. A recuperação moral, tão imediata, daquele punhado de homens demonstra a capacidade que cada um de nós possui para o nosso próprio aperfeiçoamento moral e a grandeza do amor do Pai.
Jesus explicou, ainda, que o uso das parábolas como meio retórico da apresentação do Reino de Deus era um uso circunscrito a uma época:
Disse-vos isto em parábolas, mas vai chegar a hora em que não vos falarei mais em parábolas: Falar-vos-ei abertamente acerca do Pai. (João, 16: 25)
Olhando para a História do Espiritismo, vemos que o progresso intelectual da Humanidade e permitiu a chegada do Consolador prometido e uma utilização da linguagem menos simbólica que a utilizada nas parábolas. Sabemos, no entanto, que as revelações têm sido feitas paulatinamente, acompanhando a nossa capacidade de compreensão.

III
Das mais de trinta parábolas de Jesus, gostaria de ler e comentar, ainda que brevemente, a Alegoria da Videira:
Eu sou a videira verdadeira e Meu Pai é o agricultor. Toda vara em Mim que não dá fruto, Ele corta-a; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto. Vós já estais limpos devido à palavra que vos tenho dirigido. Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós; como a vara não pode dar fruto por si mesma se não estiver na videira, assim acontecerá convosco, se não estiverdes em Mim. Eu sou a videira; vós sois as varas. Quem está em Mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem Mim nada podeis fazer. Quem não está em mim será lançado fora, como a vara, e secará; tais varas são recolhidas, lançadas no fogo e queimadas. Se vós estiverdes em Mim, e as Minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e ser-vos-á concedido. Dando vós o fruto, Meu Pai é glorificado; e assim sereis meus discípulos. (João, 15: 1-8)
Esta parábola permite várias reflexões:
1ª - Note-se que, à semelhança das restantes parábolas, Jesus explicita o sentido figurado com que usa a linguagem, e fá-lo logo no início, com o recurso à metáfora;
2ª - Note-se que, à semelhança de muitas outras fábulas, Deus é entendido como um agricultor que cuida do seu campo, das suas plantas, zelando para que dêem bons frutos;
3ª - A salvação dos apóstolos está directamente relacionada com a “palavra” de Jesus. O Mestre poderia ter passado a sua mensagem através do pensamento, mas recorrendo à palavra, respeitou o livre-arbítrio e o esforço que cada um deve empreender para o seu próprio aperfeiçoamento espiritual. Vemos, pois, que, para além do amor, o conhecimento é fundamental. Recordo a pertinência do lema espírita “Amai-vos e instruí-vos”.
4ª - Uma primeira leitura leva-nos à antiga ideia de inferno e às penas eternas. No entanto, e se bem atentarmos, vemos que o Amor do Pai nunca permitiria tal monstruosidade. Reportando-nos ao sentido figurado da parábola, sabemos que as plantas arrancadas e lançadas ao fogo pelos agricultores são apenas aparentemente um extermínio: a cinza é um excelente fertilizante e permite o nascimento de novas plantas. Por outras palavras: se não conseguimos, ainda, estar com Cristo (e, para isso, não precisamos de o apregoar a quatro ventos) e mostrarmos a nossa fertilidade moral, teremos sempre as oportunidade que precisarmos para lá chegarmos, renascendo as vezes que forem necessárias, até que, numa das podas, o agricultor se deslumbre com o frutinho que começa a despontar. O fogo, figurado, claro está, é o processo de depuração e maturação por que teremos de passar, com todas as vicissitudes que o crescimento implica. No fim, o êxito conseguido graças ao nosso próprio esforço, saber-nos-á muito melhor que se o Pai nos criasse logo todos perfeitos. É a diferença entre o caminho mais curto e o mais belo.
4ª - “pedireis e obtereis”. Esta promessa é antecedida pela ressalva que tal será possível que estivermos em comunhão com Cristo e todos os seus ensinamentos. Torna-se óbvio, pois, que, nessas circunstâncias, só pediremos o plausível e aquilo que merecemos. Os nossos pedidos afastar-se-ão, paulatinamente, dos interesses materiais a que se sujeita a nossa vida carnal.

Glorifiquemos o Pai com o nosso Amor e também com a nossa instrução. Porque pela instrução aprendemos como concretizar o Amor que em nós reside.
Recordemos as palavras do Mestre para o nosso aperfeiçoamento interior e, independentemente das outras leituras que gostamos de fazer, recorramos mais vezes à fonte, aos Evangelhos, que nos permite uma leitura pessoal, em conformidade com o grau evolutivo de cada um de nós.




(Linhas-base da palestra proferida pela Denise a 25 de Agosto)