domingo, 26 de agosto de 2007

Estórias e parábolas

I
Embora tenha tido como ideia inicial um estudo comparativo dos valores veiculados nas parábolas de Cristo e nalgumas narrativas da tradição oral, para demonstrar que Deus pode chegar até nós através de meios diversos, acabei por me cingir a reflexões sobre o conceito de parábola e no motivo por que terá sido eleita como um dos recursos preferidos do Mestre na propagação da Sua palavra.

Vejamos algumas definições, retiradas do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa:

Estória ant. m.q. história; (1912) narrativa de cunho popular e tradicional; história (…)
Parábola narrativa alegórica que transmite uma mensagem indirecta, por meio de comparação ou analogia (…) (uma nota para esclarecer que, enquanto a fábula recorre à metáfora animal, na parábola as personagens são seres humanos. Já no apólogo, coexistem animais, pessoas e objectos).
Alegoria texto filosófico escrito de maneira simbólica, servindo-se de imagens e narrativas com o intuito de apresentar tropologicamente ideias e concepções intelectuais (…)
Etimologicamente, parábola, do grego. parabolé, ês, significa comparação, aproximação; semelhança; discurso alegórico (…). A sua evolução por via erudita originou o actual significado de parábola. Pela via popular, parábola originou palabra, parole, palavra.

Ampliando a noção de palavra para linguagem, vemos que o seu significado não se afasta muito do significado original de parábola. Efectivamente, a linguagem tem um conjunto de fases de execução desde o momento em que se toma a decisão de dizer e o momento em que o ouvinte compreende a mensagem:

I. Produção
Fase 1 (Sistema Nervoso Central)
- decisão de transmitir uma mensagem
- codificação linguística do pensamento
- planeamento da sua execução
Fase 2 (Sistema Nervoso Periférico)
- execução do planeamento através de mecanismo de produção de fala
II. Recepção
Fase 3 (Sistema Nervoso Periférico)
- o sinal de fala é captado pelo ouvido.
- o sinal de fala é transformado em sinal nervoso pela cóclea.
- o sinal nervoso é conduzido até às zonas específicas da audição pelo nervo auditivo
Fase 4 (Sistema Nervoso Central)
- O sinal de fala, já transformado em sinal nervoso, é conduzido às zonas específicas da linguagem onde é descodificado

A linguagem é, pois, uma representação da realidade. Na impossibilidade de se constituir como a realidade a que se refere, a linguagem presentifica-a simbolicamente, com recurso à dimensão semântica do signo. Como diz Carlos Reis, " (...) toda a representação trata de figurar, através de um elemento representante, a presença de um ausente, entendido como elemento representado.” (in O Conhecimento da Literatura – Introdução aos Estudos Literários, Coimbra, Livraria Almedina, 1995; p.80).
Quando digo a palavra mesa, digo-a porque é mais económico do que a trazer para aqui. Há outras realidades em que são mesmo impossíveis de serem transportadas. Mas a linguagem, como representação, é apenas uma forma de aproximação à realidade. Quando digo mesa, cada um de nós representa, mentalmente, a imagem de uma mesa, mas essa representação mental difere de pessoa para pessoa. Uma palavra origina tantas realidades quanto o número de pessoas envolvidas no acto de comunicação. Essas representações variam de acordo com o conhecimento que cada pessoa detém, ou seja, com a experiência de vida de cada um.




II
Sabemos que os espíritos evoluídos não recorrem à linguagem tal como a conhecemos para comunicarem entre si:
Para os Espíritos, principalmente para os Espíritos superiores, a ideia é tudo, a forma não é nada. Livres da matéria, a sua linguagem é rápida como o pensamento, pois é o próprio pensamento que entre eles se comunica sem intermediários. Devem, portanto, sentir-se mal quando são obrigados, ao se comunicarem connosco, a se servirem das formas demoradas e embaraçosas da linguagem humana e sobretudo de sua insuficiência e imperfeição, para exprimirem todas as suas ideias. (in O Livro dos Espíritos, Introdução, item XIII)
(…) os Espíritos não têm necessidade de vestir os seus pensamentos com palavras. Eles os percebem e os transmitem naturalmente entre si. Os seres encarnados, pelo contrário, só podem comunicar-se pelo pensamento traduzido em palavras. Enquanto a letra, a palavra, o substantivo, o verbo, a frase, enfim, vos são necessários para a percepção, mesmo mental, nenhuma forma visível ou tangível é necessária para nós. (Erasto e Timóteo, in O Livro dos Médiuns, II, item 225)
No entanto, Jesus, na sua vinda à Terra, teve de se submeter às limitações da linguagem humana para poder comunicar com os restantes encarnados. Se a linguagem como representação já limita a realidade que conhecemos, imagine-se a dificuldade que a Jesus foi imputada, para nos falar da realidade do Reino de Deus!
Conhecendo a nossa limitação intelectual e a limitação da nossa capacidade de compreensão (limitações maiores na época), Jesus recorreu ao discurso alegórico e adoptou o género parábola para proferir a Sua palavra. Era este o tipo de linguagem adoptado nos primórdios da humanidade, quando a nossa capacidade intelectual se encontrava num estado muito primitivo. A linguagem alegórica é hoje muitas vezes utilizada quando o destinatário é a criança e, através de arquétipos universais, fala-lhe directamente para os mecanismos do subconsciente.
A riqueza da parábola enquanto discurso alegórico permite que o seu conteúdo seja alcançado por cada um de nós de acordo com a própria faculdade, não excluindo, assim, ninguém. À semelhança do exemplo que dei com a palavra mesa, cada um de nós reconhecerá nas parábolas do Mestre as realidades adequadas ao seu grau evolutivo, sendo que nunca se esgotará a possibilidade de renovar a interpretação com as novas experiências de vida.
A primeira das suas parábolas que surge nos Evangelhos é a do Semeador Os próprios discípulos estranharam esta nova forma que Jesus adoptou nos seus discursos. Mas o Mestre apressou-se a justificar a sua estratégia retórica:
Aproximando-se de Jesus, os discípulos disseram-lhe: «Por que lhes falas em parábolas?» Respondendo, disse-lhes: «A vós é dado conhecer os mistérios do Reino do Céu, mas a eles não lhes é dado. Pois, àquele que tem, ser-lhe-á dado e terá em abundância; mas àquele que não tem, mesmo o que tem lhe será tirado. É por isso que lhes falo em parábolas: pois vêem, sem ver, e ouvem, sem ouvir nem compreender. Cumpre-se neles a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis; e, vendo, vereis, mas não percebereis. Porque o coração deste povo tornou-se duro, e duros também os seus ouvidos; fecharam os olhos, não fossem ver com os olhos, ouvir com os ouvidos, compreender com o coração, e converter-se, para Eu os curar.
Quanto a vós, ditosos os vossos olhos, porque vêem, e os vossos ouvidos, porque ouvem. Em verdade vos digo: Muitos profetas e justos desejaram ver o que estais a ver, e não viram, e ouvir o que estais a ouvir, e não ouviram.
(Mateus, 13: 10-17. Sublinhados meus).
Uma primeira leitura enxergará alguma maldade nas palavras do Mestre: dá-se aos que têm e aos que nada têm ainda lhes será retirado o pouco que possuem?! Uma leitura mais atenta permitir-nos-á concluir que Jesus explica que enquanto os apóstolos já possuem o discernimento para interpretar o Seu discurso, outros o não possuem, atribuindo significados diferentes ao pensamento linguisticamente por Ele codificado: Não possuindo esse discernimento, as realidades que mentalmente vão supondo existir são falsas realidades. Torna-se necessário, pois, que tais enganos lhes sejam retirados para que lhes seja possível enxergar a verdade. O amor de Jesus não permite, porém, a imposição. O livre arbítrio é sempre respeitado e a alegoria da parábola é semeada no subconsciente de cada um, à espera que a vontade e a lucidez a façam germinar. Foi a vontade e a fé que permitiram que os apóstolos, homens simples, rudes, e muitos deles marginalizados pela sua sociedade, ouvindo compreendessem e vendo percebessem… Estas últimas linhas mostram-nos que o Amor divino não é selectivo e que todos possuem a possibilidade de regeneração. A recuperação moral, tão imediata, daquele punhado de homens demonstra a capacidade que cada um de nós possui para o nosso próprio aperfeiçoamento moral e a grandeza do amor do Pai.
Jesus explicou, ainda, que o uso das parábolas como meio retórico da apresentação do Reino de Deus era um uso circunscrito a uma época:
Disse-vos isto em parábolas, mas vai chegar a hora em que não vos falarei mais em parábolas: Falar-vos-ei abertamente acerca do Pai. (João, 16: 25)
Olhando para a História do Espiritismo, vemos que o progresso intelectual da Humanidade e permitiu a chegada do Consolador prometido e uma utilização da linguagem menos simbólica que a utilizada nas parábolas. Sabemos, no entanto, que as revelações têm sido feitas paulatinamente, acompanhando a nossa capacidade de compreensão.

III
Das mais de trinta parábolas de Jesus, gostaria de ler e comentar, ainda que brevemente, a Alegoria da Videira:
Eu sou a videira verdadeira e Meu Pai é o agricultor. Toda vara em Mim que não dá fruto, Ele corta-a; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto. Vós já estais limpos devido à palavra que vos tenho dirigido. Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós; como a vara não pode dar fruto por si mesma se não estiver na videira, assim acontecerá convosco, se não estiverdes em Mim. Eu sou a videira; vós sois as varas. Quem está em Mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem Mim nada podeis fazer. Quem não está em mim será lançado fora, como a vara, e secará; tais varas são recolhidas, lançadas no fogo e queimadas. Se vós estiverdes em Mim, e as Minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e ser-vos-á concedido. Dando vós o fruto, Meu Pai é glorificado; e assim sereis meus discípulos. (João, 15: 1-8)
Esta parábola permite várias reflexões:
1ª - Note-se que, à semelhança das restantes parábolas, Jesus explicita o sentido figurado com que usa a linguagem, e fá-lo logo no início, com o recurso à metáfora;
2ª - Note-se que, à semelhança de muitas outras fábulas, Deus é entendido como um agricultor que cuida do seu campo, das suas plantas, zelando para que dêem bons frutos;
3ª - A salvação dos apóstolos está directamente relacionada com a “palavra” de Jesus. O Mestre poderia ter passado a sua mensagem através do pensamento, mas recorrendo à palavra, respeitou o livre-arbítrio e o esforço que cada um deve empreender para o seu próprio aperfeiçoamento espiritual. Vemos, pois, que, para além do amor, o conhecimento é fundamental. Recordo a pertinência do lema espírita “Amai-vos e instruí-vos”.
4ª - Uma primeira leitura leva-nos à antiga ideia de inferno e às penas eternas. No entanto, e se bem atentarmos, vemos que o Amor do Pai nunca permitiria tal monstruosidade. Reportando-nos ao sentido figurado da parábola, sabemos que as plantas arrancadas e lançadas ao fogo pelos agricultores são apenas aparentemente um extermínio: a cinza é um excelente fertilizante e permite o nascimento de novas plantas. Por outras palavras: se não conseguimos, ainda, estar com Cristo (e, para isso, não precisamos de o apregoar a quatro ventos) e mostrarmos a nossa fertilidade moral, teremos sempre as oportunidade que precisarmos para lá chegarmos, renascendo as vezes que forem necessárias, até que, numa das podas, o agricultor se deslumbre com o frutinho que começa a despontar. O fogo, figurado, claro está, é o processo de depuração e maturação por que teremos de passar, com todas as vicissitudes que o crescimento implica. No fim, o êxito conseguido graças ao nosso próprio esforço, saber-nos-á muito melhor que se o Pai nos criasse logo todos perfeitos. É a diferença entre o caminho mais curto e o mais belo.
4ª - “pedireis e obtereis”. Esta promessa é antecedida pela ressalva que tal será possível que estivermos em comunhão com Cristo e todos os seus ensinamentos. Torna-se óbvio, pois, que, nessas circunstâncias, só pediremos o plausível e aquilo que merecemos. Os nossos pedidos afastar-se-ão, paulatinamente, dos interesses materiais a que se sujeita a nossa vida carnal.

Glorifiquemos o Pai com o nosso Amor e também com a nossa instrução. Porque pela instrução aprendemos como concretizar o Amor que em nós reside.
Recordemos as palavras do Mestre para o nosso aperfeiçoamento interior e, independentemente das outras leituras que gostamos de fazer, recorramos mais vezes à fonte, aos Evangelhos, que nos permite uma leitura pessoal, em conformidade com o grau evolutivo de cada um de nós.




(Linhas-base da palestra proferida pela Denise a 25 de Agosto)

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

O que é o Espiritismo

Ainda sobre o que é o EspirItismo, espreite, aqui, a palestra proferida por Alberto Almeida, médico, homeopata e psicoterapeuta no nosso país irmão, o Brasil. Aproveite e navegue no blogue Palestras Espíritas que disponibiliza gratuitamente diversas palestras espíritas.

sábado, 18 de agosto de 2007

Definição do Amor

- “O Amor é a força divina do universo”, dizia Paulo na sua epístola aos Filipenses. “… que vosso amor cresça cada vez mais no pleno conhecimento e em todo o discernimento”.
- Se nada é por acaso, tudo acontece e se movimenta pela sabedoria do Criador; tudo se sustenta pelo amor de Deus.
- O Amor é uma das leis divinas e encontra-se englobado na justiça e na caridade. “Amai-vos uns aos outros”: Faz aos outros aquilo que queres que te façam.
- “O Amor é de essência divina e todos vós do primeiro ao último, tendes, no fundo do coração, a centelha desse fogo sagrado. (…) Esse gérmen se desenvolve e cresce com a moralidade e a inteligência. (…) Amai-vos e vereis a Terra em breve transformada num Paraíso onde as almas dos justos virão repousar” – Fénelon
- “Amai muito a fim de muito serdes amados” – Sanson
- “Os meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem.” – Jesus
- “O amor resume a doutrina de Jesus toda inteira, visto que esse é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso feito. (…) E o ponto delicado do sentimento é o amor, não o amor no sentido vulgar do termo, mas esse sol interior que condensa e reúne em seu ardente foco todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas. (…)
Ditoso aquele que, ultrapassando a sua humanidade, ama com amplo amor os seus irmãos em sofrimento!
Ditoso aquele que ama, pois não conhece a miséria da alma, nem a do corpo.
Tem ligeiros os pés e vive como que transportado, fora de si mesmo.
Quando Jesus pronunciou a divina palavra, Amor, os povos sobressaltaram-se e os mártires, ébrios de esperança, desceram ao circo. (…)” - Lázaro

Algumas variantes do Amor:
Amor universal; Amor divino; Amor de Jesus; Amor ideal; Amor sublimado; Amor materno; Amor feminino; Amor filial; Amor-próprio; Amor possessivo; Amor-egoísmo, …


(Linhas-base da palestra hoje proferida pelo Marreiro)

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Poema

Deus

I

Largos anos passei, aí no mundo,
A pensar, meditando na existência
De Deus – o Ser de paz e de clemência,
Fonte de todo o amor puro e fecundo.

Eu fiz, na sua busca, estudo fundo
Através toda a humana consciência,
E dos ínvios caminhos da Ciência
Pela Terra, no Mar, no Céu profundo.

Bem desejava achá-lo, amá-lo e vê-lo,
E servi-lo, adorá-lo e conhecê-lo,
Em doce crença inalterável, viva.

Mas não o vi jamais, porque, mesquinho,
Enveredei aí por mau caminho:
- O trilho da ciência positiva.

II

Eu devia buscá-lo onde Ele mora:
Na suma perfeição da Natureza,
E no esplêndido encanto e na beleza,
Do Céu, do Mar, da Luz, da Fauna, e Flora.

Eu podia encontrá-lo em cada hora
Nessa vida: - no Amor, e na Pureza,
Na Paz e no Perdão, e na Tristeza,
E até na própria Dor depuradora.

Mas eu andava cego e nada via;
E a Vaidade escolheu para meu guia
A Ciência falaz, enganadora!

Se o guia fosse a Fé ou a Bondade,
Vê-lo-ia daí na Imensidade,
Como, em verdade, O vejo em tudo agora.
Antero de Quental, por Fernando de Lacerda
(Divulgado pelo Grupo de Trabalho Info-Espírita)

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Para guardar no coração



Se você encontra uma pessoa difícil em sua intimidade, essa é a criatura exacta que as leis da encarnação lhe trazem ao trabalho de burilamento próprio.
Abençoemos se quisermos ser abençoados.
André Luiz por Chico Xavier



Contributo do Beni

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Reencarnação: Progresso e Evolução







Filosofia e Reencarnação
- Pitágoras ensinou: «Uma vida na carne não é senão um elo da longa cadeia da evolução da Alma»
- Platão proclamou: «As almas reencarnam em corpos semelhantes aos que tiveram em vidas passadas e com instintos e tendências adquiridas em anteriores experiências».
- Hermes já afirmava: «As almas baixas e más permanecem acorrentadas à Terra por múltiplos renascimentos; as almas virtuosas, porém, sobem voando até as esferas superiores».
- Da escola de Alexandria, Plotin dizia: «A alma recebe o corpo que lhe convém e está em conformidade com os seus precedentes, segundo as respectivas existências anteriores».
- Jâmblico, filósofo grego do século IV proclamava: «Os homens que se queixam de padecer sem ter cometido faltas, ignoram que sofrem pelo que a sua alma fez anteriormente».
- Orígenes, discípulo de S. Clemente, afirmava: «Cada alma recebe um corpo de acordo com os seus merecimentos e prévias acções». Sustentava também que: «As almas, ao cair de um estado elevado, trabalham para recuperar esse estado de glória, reencarnando repetidas vezes» Orígenes denominava penas medicinais a este tipo de expiação.
- S. Gregório Nacianceno (328-389) dizia: «Existe a necessidade natural de que a alma seja curada purificada, e que, se o não for nesta vida, o seja nas seguintes».
- S. Agostinho, no livro “Confissões”, Cap. I, emprega estas palavras: «Antes do tempo que passei no seio da minha mãe, não terei estado noutro lado e sido outra pessoa?».


Religiões e Reencarnação
- A reencarnação fazia parte dos dogmas judeus. Só os saduceus (seita judia, formada por volta do ano 248 a . C., fundada por Sadoc) não a aceitavam.
- A reencarnação era aceite sem reservas pelos Essénios e pela Cabala hebraica (transmigração).
- Nos primeiros séculos do Cristianismo a reencarnação foi defendida e aceite até ao Concilium II de Constantinopla no ano 553 dominado pelo Imperador Justiniano I que, já no ano 538, estabelecera que: «Todo aquele que defenda a mística ideia da preexistência da alma e a maravilhosa opinião do seu regresso, será anatematizado».
- Nos meados do século XII, iniciou-se na Itália um movimento religioso denominado Catarismo (Albigenses) numa reacção à Igreja Católica e suas práticas, como a venda de indulgências e a soberba vida dos padres e bispos da época. Acreditavam na reencarnação. Com medo da repressão da Igreja, os Cátaros mantiveram sua fé em segredo. Porém, em pouco tempo, esta seita atraiu muitos seguidores. Cresceram bastante no sul da França e estenderam-se à região da Flandres e da Catalunha onde funcionaram abertamente com a protecção dos poderosos senhores feudais. A religião cátara propunha, como aspecto básico, a reencarnação do espírito.
- O Hinduísmo ensina a lei do carma: o bem e o mal que a pessoa faz, determinará como ela virá na próxima reencarnação. O objectivo é superar o ciclo de reencarnações (samsara), atingindo assim, o nirvana, a sabedoria resultante do conhecimento de si mesmo e de todo o Universo.
Crisna 3000 anos antes da nossa era afirmou: « …eu e vós tivemos muitos nascimentos… assim como a alma residente no corpo material passa pelas etapas da infância, juventude virilidade e velhice, também oportunamente passa a outro corpo e, noutras encarnações, voltará a viver e a desempenhar uma nova missão na Terra».
Os Vedas, também monoteístas, afirmavam: «…todos os nascimentos, felizes ou desditosos, são a consequência das obras praticadas nas vidas anteriores».
- Maomé escreveu no Corão: «Alá envia-nos muitas vezes até regressarmos a Ele».
- Os Druidas ensinavam: «O ser eleva-se desde o abismo e ascende em etapas sucessivas até à perfeição, encarnando-se no seio das humanidades sobre os mundos da matéria, que constituem outras tantas estações da sua longa peregrinação».
- A ideia de que João Baptista era o Espírito de Elias reencarnado tornou-se tão firme nos discípulos de Jesus, que estes não admitiam absolutamente dúvida a respeito. E é de notar que o Senhor não os dissuadiu desse pensamento. Pelo contrário, confirmou-o categoricamente: "Se vós quereis compreender, João Baptista é o Elias que havia de vir"(Mateus: 11, 14 e 15)".
Jesus disse a Nicodemos: "Em verdade, em verdade, te digo: Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo". E ante a estranheza do senador dos judeus de como tal situação poderia ocorrer, Jesus replicou como que surpreendido:" Como pode isso fazer-se? És mestre em Israel e ignoras estas coisas? O que nasceu da carne é carne e o que nasceu do espírito é espírito. Não te admires por Eu te haver dito: Tendes de nascer de novo" (João, 3: 1 a 12). Através de tais palavras, Jesus quis mostrar que a crença na reencarnação é um ensinamento óbvio, natural, inerente à evolução do próprio homem.
Jesus ensinou a Doutrina das vidas sucessivas a Nicodemos, pregando-a a toda a Humanidade, porque somente através da reencarnação, o homem sabe quem é, de onde veio e para onde vai.
"Não há pois dúvidas de que o princípio da reencarnação era ponto de umas das crenças fundamentais dos judeus, ponto que Jesus e os profetas confirmaram de modo formal; pelo que, negar a reencarnação é negar as palavras do Cristo."

Espiritismo e Reencarnação
Todos os Espíritos tendem para a perfeição e Deus faculta-lhes os meios de alcançá-la, proporcionando-lhes as provações da vida corporal. Na Sua Justiça permite-lhes realizar, em novas existências, o que não puderam fazer ou concluir numa primeira prova.
A doutrina da reencarnação é a única que pode explicar o futuro e firmar as nossas esperanças, pois que nos oferece os meios de resgatarmos os nossos erros por novas provações. A razão no-la indica e os Espíritos a ensinam.
Não se pode compreender que o Espírito, destinado à perfeição, consiga realizar toda sorte de progresso numa só existência física. Os próprios factos do dia-a-dia rejeitam tal ideia.
Devemos ver na pluralidade das vidas da alma a condição necessária da sua educação e dos seus progressos. É à custa dos próprios esforços, das suas lutas, dos seus sofrimentos, que ela se redime de seu estado de ignorância e de inferioridade e se eleva, de degrau em degrau.
Não obstante o renascimento físico ser um recurso sublime que auxilia a evolução do homem, a "reencarnação nem sempre é sucesso expiatório, como nem toda luta no campo físico expressa expiação.
É no esforço e na luta vencida que se avança e progride. Temos como exemplos as conquistas das ciências e das artes.
Há dois tipos de progresso: o intelectual e o moral.


"O homem se desenvolve por si mesmo, naturalmente. Mas, nem todos progridem simultaneamente e do mesmo modo. Dá-se então que os mais adiantados auxiliam o progresso dos outros, por meio do contacto social."
"Somente o progresso moral pode assegurar aos homens a felicidade na Terra, refreando as paixões más. Somente esse progresso pode fazer que entre os homens reinem a concórdia, a paz, a fraternidade."
O desenvolvimento do livre-arbítrio acompanha o da inteligência e aumenta a responsabilidade dos actos.
Emmanuel, em sua cartilha "Pensamento e Vida", assim nos esclarece: " Já se disse que duas asas conduziram o espírito dos humanos à presença de Deus. Uma chama-se Amor, a outra, Sabedoria. Através do amor, valorizamo-nos para a vida. Através da sabedoria, somos pela vida valorizados. Daí o imperativo de marcharem juntas a inteligência e a bondade".
Assim, Progresso e Evolução são indissociáveis

Ciência e Reencarnação
Embora a tendência dos vários ramos da Ciência apontem no sentido da negação dos factos, temos de admitir que confirmam de forma inequívoca as teses compiladas e apresentadas por Allan Kardec sobre a temática da reencarnação.
A melhor prova de acerto com a tese Espírita vem dos pesquisadores Dr. Raymond Moody e Dr.ª. Edith Fiore que, não sendo espíritas, confirmam com rigor científico, apoiado na experiência clínica, a veracidade da tese espírita sobre a pluralidade das existências.

A Drª Edith Fiore é doutorada em Psicologia pela Universidadede de Miami. Exerceu no estado da Califórnia durante mais de vinte anos, primeiro como médica apoiando clínica geral e a partir de 1975 como Hipnoterapeuta . Aposentou-se em 1997 tendo escolhido o estado da Florida para viver. Actualmente está a escrever um romance sobre o antigo Egipto.
A Drª Fiore formou e treinou mais de dois mil técnicos com a sua técnica inovadora. Já escreveu três livros onde revela todos os aspectos do seu trabalho como Hipnoterapeuta.


Atentemos à seguinte passagem:

Processo hipnótico
Comecei a indução hipnótica. Logo que fechou os olhos, as pálpebras começaram a vibrar. O ritmo respiratório e as pulsações no pescoço diminuíram imediatamente. Em poucos segundos verifiquei que era facilmente hipnotizável. Mas em breve nos deparamos com um muro de resistência. O seu subconsciente recusava-se teimosamente a tratar das relações com o marido. Durante uma desesperante meia hora apenas descreveu visões de cores, que apareciam e desapareciam, e só teve consciência das suas sensações físicas.
Não viu imagens! Não teve pensamentos! Decidi apontar para outra área. Pedi ao seu subconsciente que a levasse até um acontecimento, de uma outra vida, que a ajudasse a compreender porque se sentia tão abafada e não conseguia exprimir a sua criatividade.
Quando contei até dez, a sua voz tornou-se mais baixa; lentamente, e com grande esforço, contou a sua história:
J. [Murmurando, aparentemente espantada.] —É impossível que eu esteja a ver isto!
Dr.ª. F.— Que está a ver?
J. [Lentamente.] — Paredes de cavernas. É tosco ... não há utensílios... é ainda tão atrasado.
Dr.ª. F.— Fale-me de si.
J.— Não estou direito... estou curvado... mas não curvado ... estou ... Ufa! Estarei à procura de alguma coisa? Estou a olhar para qualquer coisa cá de cima. [Voz cheia de admiração.}
Dr.ª. F.— Veja se descobre o que sente e quem é... se há outras pessoas a viver consigo.
J. — Há gente algures, mas não aqui... Tenho pinturas na minha caverna e estou a protegê-las.
Dr.ª. F.— Quem as fez?
J. [Cheio de orgulho.] — São minhas.
Dr.ª. F.— Como as fez?
J. — Rochas, pedaços de rochas... é difícil e demorado e são minhas.
Dr.ª. F.— Como é que fez essas pinturas?
J. — Com as minhas mãos.
Dr.ª. F.— Que mais utilizou?
J. — Nenhum utensílio ... não havia nada.
Dr.ª. F.— Que usou como tinta?
J. — Não tinha nada ... não tinha nada. Usei só uma pedra.
Dr.ª. F.— Os outros que o rodeiam conseguem falar?
J. — Não sei. Aqui só estou eu.
Dr.ª. F.— Tem família?
J. — Não me lembro.
Dr.ª. F.—E agora, que sente?
J.— Umas vezes estou consciente... outras tenho visões.
Dr.ª. F.— Integre-se na visão ... e fale-me dos animais. Que tipo de animais pintou?
J. — Hum... animais em rebanhos. Grandes e pequenos... e estão em movimento ...
e mexem-se na minha parede, tal como os vi.
Dr.ª. F.— Que mais desenhou na sua parede?
J. [Pausa.]—Tenho uma moca com uma pedra.
Dr.ª. F.— Usou alguma coisa para unir a moca e a pedra?
J. — Couro. Está atado e cruzado. Fiz isso ... fui eu que fiz.
Dr.ª. F.— Com que fim utiliza isso?
J. — Não quero pensar. [Abanando a cabeça.]
Dr.ª. F.— Para que o usa?
J. — Protecção.
Dr.ª. F.— Protege alguém ou protege-se de alguma coisa?
J. — Não os vejo, mas estou à procura.
Dr.ª. F.— Está à procura de quê?
J. — É um vale grande... a caverna é muito alta... estou só aqui.
Dr.ª. F.— Onde estava, antes de vir para a caverna?
J. [Evasivamente.]—Fui banido.
Dr.ª. F.— De onde?
J. — De tudo. [Com espanto.]
Dr.ª. F. — Como sucedeu isso?
J. — Sou um estranho e sou diferente. Há em mim coisas que não estão certas.
Dr.ª. F. — De que modo é estranho ou diferente?
J. — Sei coisas... sei coisas. Estou aqui. Sou tão estranho.
Dr.ª. F. — Descreva-se.
J. — Sou peludo ... não por todo o corpo, mas o meu cabelo está eriçado e é feio
... e não é um cabelo escuro ... [Suspiros.] ... mas os meus olhos não pertencem...
sei mais que os outros.
Dr.ª. F. — Parece-se com os outros?
J. — Não me consigo lembrar deles.
Dr.ª. F. — Em que sentido é que os seus olhos não pertencem?
J. —Os meus olhos não estão no ... os meus olhos sabem mais que o homem que eu encarno ... mas estou dentro deste homem ... e é tudo.
Dr.ª. F. — E os outros também faziam desenhos?
J. — Não.
Dr.ª. F. — Como comunicavam eles?
J.— Eles são diferentes. Sou diferente... deles.
Dr.ª. F. — Fale-me mais acerca disso.
J. — São diferentes. São ... não compreendem. Estão a lutar... [Profundo suspiro desalentado.} ... não vivem na caverna. Vivem no vale.
Dr.ª. F. — Quando diz que sabe coisas, que pretende dizer??
J. — Sei... hum ... devo ensiná-los... e não posso ensiná-los.
Eles estão noutra ... estão noutro sítio e eu não posso alcançá-los e eles não
aprendem e eu uso os meus desenhos ... eles são crianças. Eu sou mais velho
... eles são crianças ... nesta vida... eu sei mais... e não os posso ensinar,
porque eles não me aceitam.
Dr.ª. F.— Quando fala em «crianças» quer dizer que são pessoas crescidas;
mas não são infantis, em termos de desenvolvimento?
J. — São crianças, sim.
Dr.ª. F.— Que lhes quer ensinar?
J.— Tudo... tudo. Eles têm de saber. [Faz gestos amplos com as mãos.]
Dr.ª. F.— Fale-me de algumas dessas coisas.
J. — Vida ... têm de saber da vida.
Dr.ª. F.. — Que gostaria de lhes ensinar acerca da vida?
J. — Educá-los ... tirá-los de onde estão.
Estão a viver horrivelmente... não estou melhor, mas eu sou diferente, deles.
Tenho olhos azuis...tenho olhos azuis, aqui está a diferença!
E os meus olhos... os meus olhos são mais... são brilhantes... olhos brilhantes.
Eles são escuros e pretos... cabelo preto, oleosos e nus e eu não estou
nu e de onde vim eu?
Não há ninguém ... de quem me consiga lembrar, além daquelas pessoas ...
e de mim ...
Eu sei que sou diferente.

(Retirado do livro Já Vivemos Antes)



Depois de anos de investigação, a autora chegou à seguinte conclusão: "Já não me sinto bem no agnosticismo. Vejo as coisas de um modo diferente e acredito que esta vida não é tudo. Somos a soma total de tudo o que fomos até agora."

Conclusão
Para que o homem progrida espiritualmente e cumpra o programa de trabalho que assumiu ao renascer no corpo físico, não é necessária a lembrança das experiências anteriores. Na forma de intuições e impressões, o espírito encarnado tem por advertência não reincidir no erro; são as lições do passado impressas na própria consciência, bem como as boas resoluções que tomou no sentido de sua melhoria interior que o alertam.
As tendências instintivas e, em alguns casos, o tipo de vicissitudes e provas que sofre também podem esclarecer o homem sobre seu passado e sobre a natureza dos esforços que tem de envidar para sua evolução. A observação de suas más inclinações e das dificuldades por que passa, permitirá que saiba o que foi, o que fez e o que necessitará fazer para se corrigir.

«Tendes de nascer de novo». Jesus (João, 3: 1 a 12)




(Linhas-base da palestra proferida pelo Tomé a 21 de Julho de 2007)

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Evangelização de jovens e crianças

Estamos de férias e o ritmo abrandou. Mas não parámos.
Assista às nossas palestras no 4º piso e deixe as suas crianças no 2º .
Depois de durante o período lectivo termos reflectido sobre a oração que Jesus nos ensinou, com a preciosa ajuda do livro Pai Nosso de Meimei psicografado por Chico Xavier, as crianças entusiasmaram-se com a história d' O menino que não morreu e decidimos preparar uma peça de teatro.
Neste momento, estamos na fase da transposição do modo narrativo para o dramático. E a vossa presença é, obviamente, muito bem vinda!

Novos cursos em Setembro na nossa Casa!

Estão abertas as inscrições para dois cursos a iniciar já em Setembro:

- II Curso Básico de Espiritismo
Horário por definir de acordo com as preferências dos formandos
Duração: 9 meses.

- II Curso de Iniciação Mediúnica
Horário: Sextas-feiras, das 21h às 22h30m
Duração: 12 meses
Pré-requisitos: Curso Básico de Espiritismo

Contacte-nos para a inscrição!

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Não perca!

O médium brasileiro que colaborou na elaboração do livro Mensagens de Inês de Castro, Geraldo Lemos Neto, estará amanhã, dia 3 de Agosto, pelas 21 horas, na Associação Espírita de Lagos.
Nesta sua primeira vinda a Portugal, visitou, no passado dia 1, o Centro de Estudos Espíritas Allan Kardec em Coimbra, onde apresentou o seu livro e proferiu uma palestra.