domingo, 25 de novembro de 2007

O outro Eu

De entre as muitas peças que compõem o quebra-cabeças do nosso comportamento espiritual e que ainda estão a precisar de ajustamentos e retoques para que encaixem perfeitamente no jogo da vida, há uma, de carácter eminentemente social, que mereceu desta vez a minha atenção.
Umas vezes, inocente e inócua, outras vezes, agressiva e demolidora, esta conduta está mais presente do que se pensa.
É, com frequência, um processo involuntário, faz-se sem intenção premeditada – não obstante, pode magoar.
E vem, às vezes de pessoas consideradas bem formadas, o que nos pode deixar admirados e capazes de nos interrogarmos “mas foi mesmo ele (ou ela) quem disse aquilo?”
O tema desta nossa conversa vai ser, pois, sobre aquela peça do “puzzle”, a que chamei “O outro eu” e tem a ver com o nosso (maior ou menor) mau hábito de julgarmos outros pessoas, fazermos juízes sobre os seus comportamentos e, por vezes, quase condená-los.
“Volta – não - volta” lá estamos nós (uns mais que outros) a considerar que Fulano não devia ter dito aquilo, ou que a Fulana “tem aquele feitio e devia ter outro”, que o Beltrano é assim e a Beltrana é assado, que o Cicrano faz aquilo e devia fazer aqueloutro; esquecendo-nos das nossas imperfeições, principalmente espirituais, arrogamo-nos juízes e damo-nos ao luxo de fazer julgamentos.
Diz o povo, com a sua sabedoria, que “cada um sabe de si e Deus sabe de todos”. E Deus sabe ainda – e nós também temos obrigação de o saber – que a Ele (e só a Ele) cabe o último julgamento.
Esquecemos facilmente que aquela atitude do outro, que mereceu o nosso julgamento, o nosso reparo, a nossa discordância ou, até, a nossa crítica tem, geralmente, a ver com os condicionamentos impostos pela sua vida – espiritual e humana; aquele comportamento (criticável ou não) pode ser reflexo ou consequência de problemas de saúde, de trabalho, de família, de educação etc.
E esses problemas que não são de nós conhecidos, não nos permitem fazer o tal “julgamento”.O máximo que poderemos dizer é que é o “nosso ponto de vista.”
Pontos de vista diferentes há-os sempre.
Eu diria – FELIZMENTE HÁ-OS SEMPRE. Sem que isso queira significar que, por serem diferentes, são errados.
Recordo um exemplo que um professor de Filosofia que tive, costumava dar – Um grupo de excursionistas, já aposentados de variadas profissões, visita uma montanha que o guia turístico aconselhara. Por ela passearam, embeveceram-se com a sua beleza e as paisagens que dela viam. Mais tarde, trocaram comentários; e disse o sacerdote “Senti-me lá cima tão perto de Deus que me brotou uma sentida oração; mas o pintor preferiu acentuar as belezas do que tinha visto e prometeu uma tela bem inspirada, cheia de cor e vida; o lavrador que fazia parte do grupo também gostou, claro, mas fez saber que cortando socalcos naquelas encostas poderia plantar uma fabulosa e produtiva vinha; havia, também, no grupo, um velho oficial do exército, e este opinou que a montanha poderia constituir, em caso de ataque, de várias das direcções, um elemento estratégico de defesa, colocando-se canhões aqui, ali e além.
E por aí afora; poderíamos incluir na história outras pessoas de diversas profissões e, cada uma delas daria um uso diferente à coitada da montanha que a natureza tinha embelezado e só ali estava por capricho das modificações da crosta terrestre.
Isto tudo, como exemplo de que, cada um de nós, com a sua formação, com a sua sensibilidade, com o seu grau de desenvolvimento intelectual e espiritual, regista um diferente ponto de vista que, não estando errado, fica incompleto por lhe faltarem OS OUTROS PONTOS DE VISTA.
Ainda outra historieta, bem humorada, que confirma esta asserção: - Numa vila espanhola inaugurava-se a nova praça de toiros. Festas por toda a parte e todo o dia. Muita alegria em toda a gente que já enchia a nova praça. Mas havia um homem, já de boa idade, que se mostrava tão triste que um amigo lhe perguntou:- “Hombre, estás tão triste; não gostas da nova praça? Ao que o homem respondeu “Gostar, gosto, mas tenho estado a ver tudo isto sob o ponto de vista do toiro….”

Deixemos agora as historietas, as imagens, e vamos à “lição” (salvo seja) necessariamente SOB O MEU PONTO DE VISTA e, só por isso, DISCUTÍVEL.
Vamos, então, à Bíblia, para começar. E é sempre UM BOM COMEÇO…
Referindo-se à concepção de Jesus sobre a fraternidade humana, o Evangelista Mateus diz-nos “Não julgueis para não serdes julgados, pois conforme o juízo com que julgardes, assim sereis julgados, e, com a medida com que medirdes, assim sereis medidos. Porque reparas no argueiro que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu olho? Como ousas dizer ao teu irmão; Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, tendo tu uma trave no teu?
Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e, então verás para tirar o argueiro do olho do teu irmão.”
Também em relação ao mesmo tema, João recorda a afirmação imperativa de Jesus, quando lhe apresentaram uma mulher adúltera para ser apedrejada: “Aquele que estiver sem pecado, atire a primeira pedra.”
Segundo consta, ninguém apedrejou a coitada e todos se foram embora. Perceberam, depois de ouvirem a chamada de atenção de Jesus, que se tinham precipitado – antes de julgarem a pobre mulher, deviam ter-se julgado a eles próprios.
Admitamos que não é fácil. Mesmo Kardec, nos comentários que faz, com a sublime ajuda do Espírito da Verdade, diz:- A censura da conduta alheia pode ter dois motivos: reprimir o mal ou desacreditar a pessoa cujos actos criticamos. Este último motivo jamais tem desculpa, pois vem da maledicência e da maldade. O primeiro pode ser louvável, e torna-se mesmo um dever em certos casos, pois dele pode resultar um bem. ATENÇÃO – Ele diz PODE SER LOUVÁVEL, não diz que “É LOUVÁVEL, incondicionalmente.” E mais, o valor ou a importância da censura ou da crítica assenta, na mesma proporção, na autoridade moral daquele que a pronuncia, isto é, o conselho só vale se vier de quem der o exemplo. Eu estarei agindo acertadamente, se chamar a atenção de um automobilista que fez uma manobra perigosa – “olhe, você, ali atrás fez uma ultrapassagem que o Código da Estrada não permite. Veja lá se tem mais cuidado. Claro que o sujeito poderia reagir de diferentes maneiras; ou concordar comigo e pedir-me desculpa, ou perguntar-me se eu era polícia e mandar-me a qualquer parte, e voltar à estrada mais irritado e mais capaz de fazer outras asneiras e provocar mais acidentes.
E EU?! Terei sido sempre um condutor exemplar? Sem pressas, nem falhas? Duvido.
Aceita-se que pais ou professoras critiquem, ou, melhor, chamem a atenção de seus filhos ou alunos para atitudes menos correctas (menos correctas à luz das regras sociais e de acordo, também, com a sua própria experiência de adultos). Porque, corrigir quem falha por inexperiência, é função de quem educa. Mas já é mais difícil de aceitar que façamos juízos de outros que são nossos iguais ou, pelo menos, nossos parecidos. Afinal de contas, estamos todos no mesmo planeta, não estamos??!!
Mas vamos lá ver outra coisa; se eu tiver e expressar uma opinião contrária ou um ponto de vista diferente de outra pessoa estarei a julgar essa pessoa?
Absolutamente NÃO, desde que ambos conheçam o mesmo tipo de leis e tenham culturas idênticas (aqui CULTURA tomada como o conjunto de hábitos, costumes, tradições).
Entretanto, note-se uma coisa – até agora (e ainda vamos no princípio) já fiz referência a JULGAMENTOS, PONTOS DE VISTA, OPINIÕES e JUIZOS, aparentemente como tendo o mesmo significado. MAS NÃO TÊM!
Vale a pena, então – e é conveniente – fazer análises, procurar esclarecimentos e tirar dúvidas.
O que é JULGAR? No âmbito do Direito e da Justiça (dos Homens) é estabelecer uma série de raciocínios, mais ou menos simples, tendentes a ponderar as vantagens e os inconvenientes de um acto, em relação a um CÓDIGO, neste caso, um CÓDIGO LEGAL SOCIAL. Isto é, determinar se aquele acto está, ou não, de acordo com as leis estabelecidas pela sociedade.
Ora, se elevarmos este mesmo conceito à religião cristã, verificamos apenas a diferença do código – deixa de ser referente à um código social (dos Homens, dos Estados) para se referir a um CÓDIGO DE LEIS MORAIS, superior aos Homens e aos Tempos, como referiu o nosso companheiro C. S., na palestra do passado Sábado.
Então, assim, já não pode caber a nós, humanos, julgar quem quer que seja. E porque NÃO nos CABE JULGAR OS OUTROS, passa a ser um DEVER, NÃO O FAZER. Deixemos isso aos poderes superiores da espiritualdade e fiquemos nós com a obrigação de compreender e tolerar os outros, com inteligência e com amor. Determinado que fica o conceito de JULGAMENTO e a quem pertence, em última instância, fazê-lo, vamos tratar, depois, do que tem a ver com Pontos de Vista, Opiniões e Juízos.
Vamos, por isso, dar um passo ao lado e dar uma olhadela a alguns exemplos literários pedindo, porém, licença para dizer o que penso desta literatura que não está incluída na chamada “literatura espírita ou evangélica” : -Para que nos instruamos e possamos cumprir o conselho espírita “instrui-vos” devemos recorrer a todo o tipo de literatura (desde que considerada BOA). Isto, porque, se os autores desses livros são CAPAZES de produzir tão bons trabalhos, são, com certeza, espíritos avançados e experientes, e dispostos a repartir connosco muita informação e temas de reflexão que podem ser úteis ao nosso desenvolvimento espiritual. Eu diria – correndo o risco de ferir alguma ortodoxia – que um escritor de bom nível literário já tem alguma coisa de psicógrafo.
Neste “passo ao lado” quero referir um livro intitulado “O Verdadeiro Silvestre” que me impressionou muito quando o li a 1ª vez em 1960 (tenho o hábito de datar os livros quando os compro). É de um escritor italiano – Mário Soldati – de quem não conheço mais nenhum trabalho. Este, pode-se sintetizar como sendo um debate entre duas personagens com conceitos absolutamente antagónicos acerca de um tal Silvestre, amigo intimo de uma dessas personagens e inconsolável apaixonado da outra. O narrador desta história é o amigo de Silvestre, com quem o leitor se identifica facilmente, assimilando através dele a imagem de um Silvestre ingénuo e generoso, de uma delicadeza e humildade extremas, inteligente e sentimental. A mulher por quem Silvestre se apaixona – Aurora – contesta-o violentamente e apresenta-nos, através do seu relato, um Silvestre matreiro, hipócrita e maldoso e, até mesmo, chantagista. Aurora é um ser primário, básico, todo instinto e interesse e dá ao leitor a impressão de que o Silvestre que ela conhece (ou pensa conhecer) é uma projecção da sua própria inferioridade moral, da sua incapacidade inata de imaginar qualquer sentimento que ultrapasse os limites do seu egoísmo, da sua pouca formação e da sua preguiçosa e mal treinada inteligência. Qual será o Verdadeiro Silvestre?
Dá para perceber as causas das diferentes atitudes?? Vão pensando nesta pergunta porque a ela voltaremos, quando regressarmos deste “passo ao lado”. Outro exemplo – o escritor inglês Graham Greene que, em 1929 escreveu “O outro eu”.
É a história de um contrabandista que atraiçoa os seus companheiros, denunciando-os à guarda-fiscal. Terá sido bem feito? Ou mal feito? E anda tudo à volta desta frase “Existe um outro eu dentro de mim que está zangado comigo”. Esta é outra pista para a resposta à pergunta que fiz atrás. Mas também entre escritores e poetas portugueses se pode encontrar o mesmo dilema. Do poeta Marìo de Sá Carneiro: “Eu não sou eu nem sou o outro;
Sou qualquer coisa de intermédio,
Pilar da ponte do tédio
Que vai de mim p´ró outro.”
Já começam a perceber? Penso que sim…
E deixo para o fim o nosso Fernando Pessoa que, na sua obra, se dividiu por 5 identidades – ele próprio e os seus quatro mais conhecidos heterónimos (Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Bernardo Soares). Era um exagero de EUS…
E sempre a questionar-se sobre qual o EU que era ele próprio. Não admira que um dos seus livros se chame “O LIVRO DO DESASSOSSEGO”.
Acho que já chega para poderem responder à pergunta “Quais as causas das diferentes atitudes, ou julgamentos ou juízos descritos nestas histórias e vindas destes escritores, mas também acontecem connosco?”
É isso, exactamente, o que estão a pensar. Aquelas atitudes devem-se aos factos de:
1º Ainda não sabermos muito bem quem somos, isto é, não distinguirmos o nosso EU do Outro EU,
2º Sermos muito condescendentes connosco próprios, o que nos leva a convencer-nos de que ou “somos os maiores” ou, ao contrário, pensarmos tão pouco de nós mesmos, que nos leva à timidez, à falta de confiànça em nós e à nossa baixa auto-estima, isto é, um EU influenciar o outro EU.
3º Mas muito importante – nestas dúvidas, somos bastas vezes levados a passar para os outros o resultado dos nossos preconceitos, da nossa insegurança, (balançando entre um EU e o OUTRO), da nossa falta de tolerância, de bondade e de justiça. Esquecemos a amizade, a fraternidade e o amor; assumimo-nos, quantas vezes, como infalíveis e irrepreensíveis. Mas seremos NÓS, ou seremos os OUTROS?
Os OUTROS que, de alguma maneira, nos querem deitar a perder? Os OUTROS, fazendo-se passar por NÓS? Os OUTROS, tentando enganar o nosso EU?
Que fazer??!! (dá trabalho, mas vale a pena). Aumente-se o grau de vigilância sobre o nosso EU de forma a que, com respeito e tolerância, se possa corrigir o OUTRO EU.
Em “Constituição do Espiritismo”, obra póstuma de Alan Kardec, ele chama a atenção para o respeito que a todos é devido, e que tal respeito assenta na tolerância que é fruto da caridade, base da Doutrina Espírita.
Lembremo-nos que, em qualquer tribunal, de qualquer país civilizado até o maior criminoso tem direito a defesa. (O que quer dizer que as leis dos homens já beberam qualquer coisa da lei de Deus).
E agora, quase chegados ao fim, poderá alguém – com muita razão, aliás – perguntar:- “Então e quando formos nós os julgados e criticados, sem haver motivos para isso, ou por simples maldade dos outros?
Nesta situação, as coisas ficam mais fáceis porque a doutrina e os evangelhos que nos vão norteando a caminhada, definindo os nossos princípios e ensinando a descobrir o nosso EU verdadeiro ou a nossa mais profunda consciência, permitem criar à nossa volta um escudo protector, uma couraça, e agir como o povo diz “Os cães ladram, mas a caravana passa”.
Para terminar, repito o princípio, o conselho, a lei, o mandamento, a instrução, o aviso – como entenderem chamar-lhe – e que é de todos conhecido e que envolve tudo de que falei: “AMAI-VOS E INSTRUI-VOS”. Tão simples!!!
Está lá tudo, e tudo se percebe. Mas, se quiserem, ainda de outra maneira – “Tenham bom coração, tenham bom senso cristão; tenham tino e atenção”
Pronto, acabei. Obrigado por me terem aturado.
Se, no entanto, me quiserem julgar por esta palestra eu peço, como na cantiga “Não sejam maus p´ra mim”…


(Linhas-base da palestra proferida pelo Reis a 17 de Novembro de 2007)

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Emmanuel e Chico Xavier

Lembro-me de que, em 1931, numa de nossas reuniões habituais, vi a meu lado, pela primeira vez, o bondoso Espírito Emmanuel.
Eu psicografava, naquela época, as produções do primeiro livro mediúnico, recebido através de minhas humildes faculdades e experimentava os sintomas de grave moléstia dos olhos.
Via-lhe os traços fisionómicos de homem idoso, sentindo minha alma envolvida na suavidade de sua presença, mas o que mais me impressionava era que a generosa entidade se fazia visível para mim, dentro de reflexos luminosos que tinham a forma de uma cruz. Às minhas perguntas naturais, respondeu, o bondoso guia: — “Descansa! Quando te sentires mais forte, pretendo colaborar igualmente na difusão da filosofia espiritualista. Tenho seguido sempre os teus passos e só hoje me vês, na tua existência de agora, mas os nossos espíritos se encontram unidos pelos laços mais santos da vida e o sentimento afectivo que me impele para o teu coração tem suas raízes na noite profunda dos séculos..."
Essa afirmativa foi para mim imenso consolo e, desde essa época, sinto constantemente a presença desse amigo invisível que, dirigindo as minhas atividades mediúnicas, está sempre ao nosso lado, em todas as horas difíceis, ajudando-nos a raciocinar melhor, no caminho da existência terrestre. A sua promessa de colaborar na difusão da consoladora
Doutrina dos Espíritos tem sido cumprida integralmente. Desde 1933, Emmanuel tem produzido, por meu intermédio, as mais variadas páginas sobre os mais variados assuntos. Solicitado por confrades nossos para se pronunciar sobre esta ou aquela questão, noto-lhe sempre o mais alto grau de tolerância, afabilidade e doçura, tratando sempre todos os problemas com o máximo respeito pela liberdade e pelas ideias dos outros. Convidado a identificar-se, várias vezes, esquivou-se delicadamente, alegando razões particulares e respeitáveis, afirmando, porém, ter sido, na sua última passagem pelo planeta, padre católico, desencarnado no Brasil. Levando as suas dissertações ao passado longínquo, afirma ter vivido ao tempo de Jesus, quando então se chamou Públio Lêntulus. E de fato, Emmanuel, em todas as circunstâncias, tem dado a quantos o procuram o testemunho de grande experiência e de grande cultura.
Para mim, tem sido ele de incansável dedicação. Junto do Espírito bondoso daquela que foi minha mãe na Terra, sua assistência tem sido um apoio para o meu coração nas lutas penosas de cada dia.
Muitas vezes, quando me coloco em relação com as lembranças de minhas vidas passadas e quando sensações angustiosas me prendem o coração, sinto-lhe a palavra amiga e confortadora. Emmanuel leva-me, então, às eras mortas e explica-me os grandes e pequenos porquês das atribulações de cada instante. Recebo, invariavelmente, com a sua assistência, um conforto indescritível, e assim é que renovo minhas energias para a tarefa espinhosa da mediunidade, em que somos ainda tão incompreendidos.
Alguns amigos, considerando o carácter de simplicidade dos trabalhos de Emmanuel, esforçaram-se para que este volume despretensioso surgisse no campo da publicidade. Entrar na apreciação do livro, em si mesmo, é coisa que não está na minha competência. Apenas me cumpria o dever de prestar, ao generoso guia dos nossos trabalhos, a homenagem do meu reconhecimento com a expressão da verdade pura, pedindo a Deus que o auxilie cada vez mais, multiplicando suas possibilidades no mundo espiritual e lhe derramando, na alma fraterna e generosa, as luzes benditas de seu infinito amor.

Pedro Leopoldo, 16 de Setembro de 1937.
Francisco Cândido Xavier
(Este é o prefácio do livro Emmanuel - Dissertações mediúnicas sobre importantes questões que preocupam a humanidade, de Chico Xavier, publicado em 1938, e serviu de base para a palestra proferida pelo Marreiro a 3 de Novembro de 2007)