domingo, 23 de março de 2008

A escalada do Ser

Ouvi-me, vós todos os que seguis a justiça, e buscai o Senhor; considerai a rocha donde fostes criados e o manancial donde saístes.
ISAÍAS cap LI, V 1º

(...) Deus pode fazer destas pedras filhos de Abraão.
MATEUS cap. VII, V 24


OS TRÊS REINOS E O SEU CRIADOR

Reino Mineral
Pedra » Alicerce
Rocha » Essência espiritual

Reino Vegetal
Planta » Sensibilidade

Reino Animal
»»»»»»»» Inteligência Rudimentar
Animal »» Perispírito em formação
»»»»»»»»Início da Vontade

Reino Hominal
»»»»»»»»» Perispírito
»» »»»»»»»Conciência
Homem »» Começo da Razão
»»»»»»»»» Inteligência
»»»»»»»»» Livre-arbítrio

Vida Eterna
Fim dos Sofrimentos
Vida Plena

O Espírito em formação “Essência espiritual” necessita de uma matéria mais condensada para se desenvolver, pois no mundo espiritual a matéria é mais etérea.
Todos os mundos habitados têm o mundo físico e espiritual.


LIVRO DOS ESPÍRITOS, CAP XI, QUESTÕES 585 - 613
Reino Mineral
Possui em si apenas a força mecânica.
Dos laboratórios do mundo espiritual partem as essências espirituais (espírito em formação) para se materializarem no mineral.
As essências espirituais são uma chama diminuta , mas muita resguardada por Deus.
A essência espiritual encontra-se nas pedreiras, que pode ter várias essências. Umas “morrem” antes do tempo, mas outras prosseguem a caminhada.
Morto o mineral, a essência é transportada para vários pontos que existem no Universo.
No Reino Mineral, a essência espiritual é assistida por Espíritos capacitados e atentos que dela cuidam.
A pedra que se separou da pedreira é apenas pedra “morta”. Porém, quando a essência espiritual é retirada, é levada aos laboratórios do mundo espiritual.
Cada essência espiritual tem o tempo certo de ficar no seu reino.
Se a pedra for lascada antes do tempo de aquela essência permanecer no reino mineral, ela passa para outra em formação. O mesmo ocorre com as plantas.
Tudo obedece ao mundo harmonioso de Deus.
A essência espiritual que dorme no mineral ganhará no amanhã a sensação quando se materializar no reino vegetal.

Reino Vegetal
586. Têm as plantas consciências de que existem?
“Não, pois que não pensam; só têm vida orgânica.”
587. Experimentam sensações? Sofrem quando as mutilam?
“Recebem impressões físicas que actuam sobre a matéria, mas não têm percepções. Por conseguinte, não têm a sensação da dor.”
588. Independe da vontade delas a força que as atrai umas para as outras?
“Certo, porquanto não pensam. É uma força mecânica da matéria, que actua sobre a matéria, sem que elas possam a isso se opor.”

No reino vegetal as plantas não tem consciência da sua existência, não pensam, pois não têm vida inteligente. Só vida orgânica.
Elas perecem mas não sentem a dor.
As plantas não desencarnam e desmaterializam e as essências espirituais estão em crescimento e constante progresso em vários locais apropriados. Vão para incubadora, onde vão ser tratadas por Espíritos capacitados. E depois não mais se materializam em outro vegetal.
A planta possui um envoltório como uma luz, porém não é perispírito. Só podemos chamar de perispírito quando este envoltório do Espírito atinge a forma humana.
O caminho da evolução que as essências percorrem não conta para a evolução delas.
Importa sim qual o caminho do Espírito quando ele atingiu a maioridade – Reino humano.
Ex: Num relvado encontram-se várias essências; elas não estão em cada muda de grama. Existe a essência mãe, e delas enraízam-se as outras. Se não pegamos a mãe, não existe essência, portanto a muda não germina. Em algumas touceiras estão a essências e os complementos. Por isso existem galhos e sementes dos frutos que germinam. E as que não levam a essência não germinam.
Quando desejamos uma muda de planta, os jardineiros do plano espiritual só deixam a essência ser transportada se sentirem que temos capacidade de cuidar da planta. É por isso que dizemos que existem pessoas de mãos boas, que tudo o que plantam germina, e alguns que podem plantar um jardim inteiro e nada germinará.

Reino Animal
597. Pois que os animais possuem uma inteligência que lhes faculta certa liberdade de acção, haverá neles algum princípio independente da matéria?
“Há e sobrevive ao corpo.”
O animal, após o desencarne, também possui a sua individualidade, só que não detém a consciência de si mesmo.
O animal por não ter consciência e livre-arbítrio, não passa pelo processo expiatório, pois, ignora a existência de Deus.
a) - Será esse princípio uma alma semelhante à do homem?
“É também uma alma, se quiserdes, dependendo isto do sentido que se der a esta palavra. É, porém, inferior à do homem. Há entre a alma dos animais e a do homem distância equivalente à que medeia entre a alma do homem e Deus.”
Os animais têm perispírito em formação. Tem uma sombra sem brilho.
Como não têm livre-arbítrio não podem escolher em que espécie vai encarnar.
Os animais desencarnam no plano físico e passam rapidamente pelo mundo espiritual e são levados para os laboratórios científicos onde serão preparados para a ascensão do seu principio inteligente.
603. Nos mundos superiores, os animais conhecem a Deus?
“Não. Para eles o homem é um deus, como outrora os Espíritos eram deuses para o homem.”
604 a)- A inteligência é então uma propriedade comum, um ponto de contacto entre a alma dos animais e a do homem?
“É. Porém, os animais só possuem a inteligência da vida material. No homem, a inteligência proporciona a vida moral.”
Enquanto a humanidade desconhecer a escalada do Espírito, faltará amor na Terra.

Reino hominal
»»»»»»»»»» Perispírito
»»»»»»»»»» Consciência
Homem »»» Começo da Razão
»»»»»»»»»» Inteligência
»»»»»»»»»» Livre-arbítrio

Só forma o perispírito no homem onde existem os centros de força, onde estão alojados os laços "que são expansão do perispírito" que prendem o corpo físico ao espírito.
Os laços são elementos da matéria que nos acompanha desde o mineral, que ao sair do reino animal e adentrar no reino hominal se encaixam no perispírito do homem, dos quais ele se livra somente quando dele não mais precisa. À medida que o homem se depura, esses laços vão se desmaterializando e ficando cada vez mais etéreos, fundindo-se ao perispírito, pois, não precisa mais reencarnar.
O ser atinge a perfeição.
Para melhor facilitar o entendimento, vamos comparar ao crescimento do ser humano.
A essência espiritual, quando no mineral, corresponde à célula ovo que está no ventre da nossa mãe Natureza.
Como vegetal, é um bebé.
No reino animal, torna-se criança, é o princípio inteligente, mas sem responsabilidade e ainda tacteando os caminhos da vida.
No mundo Hominal é a responsabilidade, o saber, o crescimento moral e intelectual, enfim o livre-arbítrio.

Por isso eu posso ter 100.000 mil anos e você 60.00 mil anos.
Deus criou o espírito simples e ignorante para que lutasse para progredir. Porém, o Pai continua cuidando com desvelo e amor.
Temos de lutar para transformar corações de pedra em corações de carne, pois ainda não conhecemos o amor universal, onde todos se respeitam como irmãos que somos.
Temos de ser bons por sermos bons e não por julgar que os outros nos acham bondosos.
Todos os dias Cristo bate à nossa porta. Porém, é preciso Renunciar. Quem não deseja escutá-lo, não deseja evoluir.
Por julgarmos imperfeitos nada fazemos para melhorar nossa condição de espírito em evolução.
A verdadeira santidade é trabalhada no dia-a-dia, no trato com o semelhante. Ser bom, caritativo, laborioso, modesto são qualidades do homem virtuoso.
A caridade começa em casa.
O sucesso nasce da grande vontade de aprender.
Os fracos reclamam, choram e fogem, deixando para atrás as tarefas inacabadas.
Os fortes são todos aqueles que sempre lutam pelas vitórias do seu Espírito.

(Linhas-base da palestra proferida pelo Beni a 19 de Janeiro de 2008)

Visão Espírita da Páscoa

O Espiritismo não celebra a Páscoa, mas respeita as manifestações de religiosidade das diversas igrejas cristãs, e também não proíbe que seus adeptos manifestem sua religiosidade.
Páscoa, ou Passagem, simboliza a libertação do povo hebreu da escravidão sofrida durante séculos no Egito, mas no Cristianismo comemora a ressurreição do Cristo, que se deu na Páscoa judaica do ano 33 da nossa era, e celebra a continuidade da vida.
O Espiritismo, embora sendo uma Doutrina Cristã, entende de forma diferente alguns dos ensinamentos das Igrejas Cristãs. Na questão da ressurreição, para nós, espíritas, Jesus apareceu à Maria de Magdala e aos discípulos, com seu corpo espiritual, que chamamos de perispírito. Entendemos que não houve uma ressurreição corporal, física. Jesus de Nazaré não precisou derrogar as leis naturais do nosso mundo para firmar o seu conceito de missionário. A sua doutrina de amor e perdão é muito maior que qualquer milagre, até mesmo a ressurreição.
Isto não invalida a Festa da Páscoa se a encararmos no seu simbolismo. A Páscoa Judaica pode ser interpretada como a nossa libertação da ignorância, das mazelas humanas, para o conhecimento, o comportamento ético-moral. A travessia do Mar Vermelho representa as dificuldades para a transformação. A Páscoa Cristã, representa a vitória da vida sobre a morte, do sacrifício pela verdade e pelo amor. Jesus de Nazaré demonstrou que pode-se Executar homens, mas não se consegue matar as grandes idéias renovadoras, os grandes exemplos de amor ao próximo e de valorização da vida.
Como a Páscoa Cristã representa a vitória da vida sobre a morte, queremos deixar firmado o conceito que aprendemos no Espiritismo, que a vida só pode ser definida pelo amor, e o amor pela vida. Foi por isso que Jesus de Nazaré afirmou que veio ao mundo para que tivéssemos vida em abundância, isto é, plena de amor.

Amílcar Del Chiaro Filho. Jornal Espírita, nº 292. Março 2008
Nota: este artigo foi publicado na íntegra pela Revista Católica MISSÕES - da Ordem Consolata

Pintura Mediúnica - as fotos

Florêncio Anton na nossa Casa.
30 Janeiro 2008.